"Os mais excitantes contos eróticos"

 

Ai,Luisinha, como és tão mazinha!-2


autor: Rosário
publicado em: 28/08/17
categoria: bdsm
leituras: 189
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(Continuação)
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E, de facto, as cartas começaram a chegar logo no dia seguinte; primeiro uma... depois outra... e a certa altura já eram tantas, que não cabiam na caixa do correio!
Como seria de esperar, eram todas de mulheres, umas dirigidas à Directora, mas outras — coisa rara! — a mim mesmo.
E havia de tudo:
Umas curtas, e outras longas;
Umas dactilografadas, e outras manuscritas;
Umas cordiais, e outras furiosas;
Umas cheias de erros de ortografia, e outras impecáveis;
Umas ingénuas, e outras sabidas...
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Começámos, então, a separá-las por géneros, escolhendo as mais interessantes, que íamos pondo de lado.
Como era de esperar, a maioria das leitoras alinhava pelo padrão do politicamente correcto (lamentando a sorte da condição feminina ao longo dos séculos), com as mais optimistas a mostrarem esperança de que os tempos haviam de mudar e, com eles, os preconceitos e os costumes.
Mas essas cartas, de teor previsível, iam para o monte das "banais", pois as mais interessantes eram outras, relativamente poucas:
Umas eram conformistas, por vezes até citando as ‘Escrituras’ que avalizavam a submissão da mulher ao homem. Mas, noutras, era possível descortinar, nas entrelinhas, um certo prazer erótico nessa submissão — fosse ela real e vivida, ou apenas ansiada e em fantasia. E — pasme-se! — não faltaram, mesmo, leitoras a comentar favoravelmente a gravura que publiquei — representando uma cena do séc. XVIII, em que um marido vergasta a mulher por descurar as tarefas domésticas!
Finalmente, havia três cartas em que as leitoras diziam (meio a sério, meio a brincar), que o ideal seria uma sociedade do tipo matriarcal (como Nanshakh fantasia nos seus desenhos), com os homens reduzidos a escravos — não só para as tarefas domésticas (o que seria óbvio!), mas também para coisas como obras públicas, pedreiras, etc., — trabalhando nus, de sol-a-sol, debaixo do chicote implacável de umas quantas "dommes" sádicas!
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— Eu era bem capaz de ter escrito esta carta — comentou a nossa patroa, rindo, e pegando numa delas, por sinal a mais bem redigida.
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Ela sabia bem do que falava e A QUEM falava! Oh, se sabia!
D. Clarisse ficou pálida, e eu fiz de conta que não tinha percebido.
Luisinha, rindo-se, arrumou tudo; e depois, falando apenas para mim, disse o que nunca esquecerei:
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— Vamos, Verme! Vai-te sentar e tratar da página deste mês!
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Esbugalhei os olhos, siderado, e — não pela primeira vez ...—imaginei o que podia ser viver com aquela mulher numa relação conjugal. Um inferno ou um paraíso?
Claro que ela já pensara no mesmo; garantia a toda a hora que não tencionava casar, mas também não fazia segredo que a excitava a fantasia do marido-escravo.
E sucedeu então uma coisa curiosa:
Como já contei, os textos que eu fazia para a Revista não eram redigidos ali, pois só lá ia quando se aproximava aquilo a que se chama "o fecho". E, como o número desse mês tinha acabado de sair, ainda faltavam duas ou três semanas para isso. Portanto, na realidade, eu até nem estava ali a fazer nada — apenas me movera a curiosidade de ver o conteúdo da correspondência que se antevia volumosa.
Apesar disso, quando Luisinha, num gesto teatral, apontou, imperiosa, para a minha mesa de trabalho, eu obedeci maquinalmente, como um autómato!
D. Clarisse apercebeu-se desse absurdo, mas nada disse, e fez-se um silêncio estranho, apenas cortado pelo matraquear nervoso da sua máquina de escrever.
Eu, ainda mal recomposto, estava de frente para a janela e folheava os meus apontamentos, olhando-os mas sem os ver, pelo que só senti a aproximação da Luisinha quando o seu forte perfume chegou até mim.
Inclinou-se, deixou que os seus longos cabelos negros me roçassem a cara, e sussurrou ao meu ouvido, com a sua voz sensual e rouca:
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— Lindo menino, tão obediente... Mas agora vai-te embora, que não estás aqui a fazer nada.
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(Continua)




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