"Os mais excitantes contos eróticos"

 

Ai, Luisinha, como és tão mazinha!-4


autor: Rosário
publicado em: 30/08/17
categoria: bdsm
leituras: 271
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(Continuação)
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A minha carta seguiu para o correio logo na manhã do dia seguinte, levando indicado, como remetente, o endereço do Escritório. Mas, inversamente (e como já era de prever dadas as circunstâncias), D. Clarisse não dera a sua morada, mas sim o número de um Apartado de uma estação dos CTT.
Era estranho, pois uma pessoa que tem uma residência certa e legal, que não anda a fugir de ninguém, e que não tem nada a esconder, não precisa disso. Teria ela uma vida secreta e paralela, como hoje vemos, por aí, aqueles (e aquelas...) a quem chamamos "fakes"?!
Nos dias seguintes dediquei-me às minhas outras — muitas — actividades, pois contava só voltar a pensar na Revista algumas semanas mais tarde.
Mas o certo é que não me saía da cabeça o que se passara, e, mais ainda, o que podia vir a passar-se!
Ora pensem bem:
Eu estava envolvido, durante vários dias por mês, numa intensa actividade com duas mulheres — uma trintona e outra quarentona, os três fechados numa sala, durante horas e horas, e ultimamente a discutir fantasias sexuais!
Das duas, Luisinha, a chefe, nunca escondera as suas tendências de Domme (como agora se diz), mostrando, por actos e palavras, o prazer que sentia em nos dominar — a mim, à D. Clarisse, e a quem mais lhe pudesse cair nas mãos!
E quanto a essa outra... Ah!, essa parecia uma caixinha-de-surpresas (de Pandora ou não...), que talvez valesse a pena abrir!
O certo é que durante uma semana não houve novidades; mas, ao oitavo dia, um telefonema da Luisinha sobressaltou-me:
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— Temos aqui mais algumas cartas, meu querido. As que são para a Revista já as abri, mas as que são para ti preciso da tua autorização.
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Não era de esperar tanta simpatia da parte dela, mas apreciei a gentileza. Disse-lhe que as podia abrir, pois nada havia de particular nessa correspondência.
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— Tens a certeza? Olha que não te livras de que te apareçam umas quantas... Bem... não direi apaixonadas, mas olha que mulheres solitárias e frustradas, a quererem conversa, é o que não falta por aí. Não te esqueças de que só o facto de elas te obrigarem a ler o que escreveram já lhes dá muito prazer. A maioria, à falta de amor e carinho, só quer um pouco de atenção, e elas contam connosco para isso. Repara que até a nossa “Amiga Alice” (o teu 'alter-ego' do "Correio Sentimental") lhes serve para combater a solidão. E a propósito disso: sabes o que uma leitora me escreveu hoje? Diz-me que está convencida de que a pessoa que assina “Amiga Alice” é a mesma que escreve as páginas da História de Arte! E nem ela sonha que é também a mesma que lhe faz o Horóscopo!
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Luisinha não se calava! Por fim, pareceu tomar fôlego, e eu aproveitei para a interromper:
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— Então e a nossa amiga especial? Não escreveu?
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Riu-se, antes de responder:
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— Guardei essa surpresa para o fim, mas foi por isso que te telefonei. Veio um grande envelope mandado por ela. Posso abrir?
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Ela bem sabia que sim, e ainda antes de lhe responder já eu ouvia, pelo telefone, o som inconfundível do papel a ser rasgado.
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— Ai Jesus!, minha Nossa Senhora! O que aqui vem dentro! Essa mulher perdeu a cabeça!
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Começou a tirar o conteúdo do envelope e relatando o que via:
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— Olha, traz uma carta (dactilografada, claro) e um conjunto de desenhos, gravuras e fotografias... Tudo relacionado com o nosso tema dos maridos-escravos, como lhe pediste. Tem algumas imagens muito boas, como vais ver quando cá vieres. Ah! Vejo agora que, por trás, todas as imagens têm um comentário escrito por ela... Também à máquina.
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Eu não dizia nada, para não a interromper, apesar de, por vezes, ela fazer uma pausa para ler o que estava escrito.
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— Isto é uma delicia, meu querido! — prosseguiu — Quem havia de dizer que a nossa amiga Clarisse é uma grande apreciadora destas coisas?
— Mas ainda não percebi o mais importante: ela dá a entender que é dominadora ou submissa? Ou será que alterna? — perguntei eu, fazendo a pergunta óbvia que já me atazanava há algum tempo.
— A resposta vem na carta, meu lindo. É clara como água, ou ela não se chamasse “Clarisse”... Tens a certeza de que queres mesmo saber qual é? Claro que queres, queridinho, mas não te digo pelo telefone. Vais ter de vir aqui à Redacção, amanhã, e implorar. E agora vai dormir... E sonha comigo... ou com ambas!
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E, dando uma gargalhada, desligou-me o telefone na cara!
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(Continua)




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