"Os mais excitantes contos eróticos"

 

A MINHA VIDA - história real. Parte 1


autor: Lecter
publicado em: 16/10/16
categoria: gays
leituras: 2083
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Caros leitores, muito obrigado por acessarem minha história.

Aviso-lhes que não é bem um conto e sim a real história de minha vida, iniciando um pouco antes da puberdade até os dias de hoje.

Sendo assim, é uma história longa e detalhada. Possivelmente, o conto fique chato e/ou monótono até sua metade. Mas é que realmente preciso detalhar. Tudo o que falarei fará parte da minha adolescência e da minha vida adulta. As pessoas que conhecerei, as bandas/músicas, livros, tudo. Retirarei o máximo possível de coisas que não farão diferença, ok? As partes eróticas serão bem detalhadas. Aviso também que contarei não somente as experiências homossexuais, mas também as heterossexuais, pois foram de grande importância pra mim.

Falarei especialmente, claro, da minha sexualidade e experiências sexuais desde que comecei até os dias de hoje (tenho 28 anos. A história terá início aos 11).

Falarei também da minha vida pessoal profissional e financeira. Aqui você me conhecerá muito bem. Meu jeito, minhas ideias antigas e atuais, minha visão de mundo, imaturidade, preconceitos, aceitação, maturidade e muita experiência sexual.

Muitos dos acontecimentos posso datar e detalhar devido ao fato de que sempre tive vontade de escrever contos eróticos, porém deixava-os pela metade ou acabava apagando. Mas fui mantendo tudo em um antigo e-mail. Época da internet discada.

Me chamo Diego e tenho 28 anos hoje. Sou branco, pernas e bunda bastante peludas. Hehe. Peito e umbigo um pouco peludos. Tenho 1,80m de altura, 72 kg, cabelos cacheados um pouco cheios e claros. Não chegam a ser loiros, apesar de algumas pessoas referirem à mim como "loirinho". Pés bem grandes (calço 43) e pinto circuncidado devido à circuncisão a qual fui submetido com poucos dias de nascimento, onde evidenciei ter fimose. Meu pinto é grandinho, mas descreverei mais detalhadamente no conto, pois começarei pequeno, "crescendo".

Não sou lindão. Tenho lá minha beleza. Mas a beleza que as pessoas vêem em mim, eu não vejo, sinceramente. Já fui "cismadinho", "metido", "me achava" um pouco. Mas fui crescendo e com a maturidade vi o quanto isso era ridículo. Podem ter começado a imaginar um cara bem bonito lendo minha descrição física, um "deus grego". Mas não sou. Sinceramente, sou normal mesmo.

Nasci e cresci em uma cidade de porte médio (cerca de 180 mil habitantes) em Minas Gerais. Moro nela atualmente, apesar também de morar em Belo Horizonte, onde minha família reside. Não falarei o nome da cidade para preservar as pessoas envolvidas. Mesmo hoje sendo bem resolvido, há pessoas que me envolvi que não são. E ninguém sabe tudo que aconteceu em minha vida sexual exatamente. Falarei sobre dificuldades financeiras, decepções, muito sexo, e problemas graves. Por isso, preciso resguardar estas pessoas.

Chega de introdução. Vamos à minha história.

Tinha 11 anos. Não sei dizer que altura tinha, mas era discretamente mais alto que a maioria dos meninos da minha idade. Tinha cabelos mais claros que hoje, curtos, bem curtos, pois nesta idade nossos pais quem mandam até em nosso cabelo. Era muito tímido e muito calado. Frequentemente questionavam minha mãe sobre meu jeito "estranho". Às vezes falavam sobre isso na minha frente, o que me deixava em dúvidas achando que era um esquisito.

Aos meus 11 anos de idade, nos mudamos de casa porquê morávamos de aluguel e meu pai havia falecido há 2 anos atrás de cirrose. Ele bebia somente nos finais de semana e moderadamente, porém, pelo pouco que me lembro )e não sei porquê tanta coisa foi apagada de minha memória antes dos 10 anos de idade) ele começou a beber frequentemente. Ficava agressivo com minha mãe (verbalmente). Minha mãe brigava muito com ele enquanto eu e meus irmãos (sou o do meio, tendo um irmão mais velho e uma irmã mais nova) ficávamos quietos, na nossa, com medo.

Minha mãe fazia faculdade de enfermagem, da qual meu pai era muito contra, pois não aceitava mulher independente. Isso era motivo constante de brigas. Mas minha mãe foi até o fim e graças à teu esforço, nos criou.

Eu não vou relatar este período porquê sei pouco. Realmente não me lembro deste período. Sempre converso com minha mãe sobre o fato de eu ter apagado a infância de minha memória.

Mas o que aconteceu? Porquê minha mente fez isso? Sofri algum trauma muito grande? Porquê me lembro tão pouco de meu pai? Poderia ir a um psicanalista e tentar saber o que bloqueia minha mente. Mas não. Estou bem hoje. Estou feliz. E se algo realmente aconteceu no passado, não mudará mais nada hoje.

Depois de um "apagão" que tive aos 10 anos, iniciei "forçadamente" sessões semanais com psicólogo. Eu realmente não era lá muito normal =S

Pouco tempo depois que meu pai começou a beber com muita frequência, foi internado e nunca mais retornou para casa. Faleceu em cerca de 8 dias de internação. No dia de seu falecimento, minha mãe foi bem cedo para o hospital. Ele faleceu no fim da madrugada.

Acordamos e ela não estava mais. Por volta das 10 horas da manhã, chegou um tio nosso que nos deu a notícia. Lembro que o falecimento dele não me afetou em nada, absolutamente nada. Na verdade, era até algo que eu desejava às vezes, pois queria viver em uma família normal. Queria paz.

Este nosso tio conversou com cada um de nós e disse que meu irmão teria que cuidar de nós, os menores. Mas sumiu uns meses depois.

No meio desta conversa, chega uma pessoa incrível em nossa casa: uma amiga da minha mãe de longa data, que morava em um bairro mais distante do nosso, para ficar conosco. Ela trouxe Nicole. Uma menina da minha idade e que cresceu comigo. Passamos a infância brincando e brigando, mas não nos separávamos. Essa menina era incrível pra mim.

Nicole era mais baixa, magrela (como eu), branca, cabelos muito pretos, lisos e longos. Descreverei ela de acordo com nosso crescimento também.

Aquele clima de morte havia me deixado sem apetite. Não almocei a comida que a mãe de Nicole fez. Todos se foram para o velório, menos eu. Meu tio insistia pra eu ir, mas eu não queria. Acho que esta foi a primeira atitude própria que tive, indo contra os demais.

Mãe de Nicole interveio e disse que eu tinha autonomia pra tomar esse tipo de decisão.

Ela pegou umas caixas de fotos antigas nossas e começamos a revirá-las. Ríamos muito. Mas sempre Nicole e sua mãe falavam de como eu era bonito quando criança. “Um anjinho”, diziam elas. Olhos muito claros e cabelos loiros, cacheados, volumosos.

A mãe de Nicole estava insistindo para eu deixar meu cabelo crescer e não mais cortar todo mês como minha mãe pedia. Ela dizia que eu deveria voltar a ter os cabelos de anjo que tinha quando criança. Ela disse que se responsabilizaria em dar alguns pequenos cortes caso ele crescesse de forma heterogênea. Decidi fazê-lo.

Depois disso, fiquei em casa e todos foram para o velório. Lembro-me que fiquei a tarde toda na MTV. Tínhamos um vídeo-cassete (sim, afinal, isso foi em 1999. Ainda se usava vídeo cassete) Peguei umas fitas de filmes que ninguém mais assistia e decidi começar a gravar clipes que me agradassem. As gravações eram sempre cortadas, pois quando eu decidia que tal clipe valia à pena, ele já havia começado à muito tempo.

Mas estas gravações iriam mudar profundamente minhas ideologias no futuro. Mal sabia eu.

Voltando para nossa nova casa, a mudança de casa se deu para uma casa própria, comprada com o fundo de garantia do meu pai. Minha mãe continuava na faculdade.

Nossa nova casa era simples: 1 sala, 1 cozinha, 1 banheiro e 2 quartos. Um quarto era meu e do meu irmão e o outro da minha mãe e irmã. Os muros eram de placas. Ou seja, bem simples e sem muita privacidade.

Havia um quintal relativamente grande, mas a casa se baseava nisso. Tínhamos 2 cães que eram grandes amigos meus. Passava muito tempo com eles. Eram meus melhores amigos agora, tendo em vista que os amigos do outro bairro que morei apareciam cada vez menos, até cessar.

Minha relação com a família era estranha, porém boa. Eu era muito calado em casa também e nunca falava nada que acontecia fora de casa. Gostava muito de ficar sozinho ou com meus cães. Eu era muito distante do meu irmão. Brigávamos muito pouco, pois eu sempre estava distante. Mas essa distância o incomodava a ponto de sempre mexer em coisas pessoais minhas e me entregar para minha mãe por qualquer besteira que acontecesse. Isso só me fez ser ainda mais distante dele. Eu era mesmo muito estranho. Mas isso mudou, mudou muito. Somadas com músicas muito agressivas e muita leitura, duas grandes pessoas foram as responsáveis por mudar muito meu comportamento. Pessoas que estão muito próximas de mim até hoje, que aparecerão em breve aqui, uma delas é a Nicole.

Fui para a quinta série do ensino fundamental. Tive que mudar de escola, pois a que estudava tinha apenas até a quarta série. Sempre estudei em escolas públicas.

Chegou fim de janeiro e eu iria para uma escola estadual um pouco distante de minha casa, pois foi a que escolhi. A escola próxima à minha casa era, digamos, normal. Esta outra, da qual meu irmão mais velho estudava, possuía uma grande fama por ter ensino mais rigoroso. Esta escola era tão destacável, que existia uma prova, tipo um vestibular, para você ingressar nela, mesmo sendo estadual. Isto não existe mais.

Fui aprovado e logo começariam as aulas. As aulas teriam início durante alguns dias e depois pararia para o carnaval, retornando após esta festa>
Estava nervoso. Iria para uma escola imensa da qual não conhecia ninguém. Teria que começar amizades do zero. Logo eu, tão quieto e tímido. Havíamos nos mudado de casa há menos de 1 ano e onde eu morava era um bairro novo, com poucas casas, maioria sendo construída. Praticamente perdi meus amigos de infância (quase todos). Então, já não bastasse não ter amigos na vizinhança, agora perdia os da escola também.

Primeiro dia de aula. Estudava no período da tarde. Almocei, vesti o novo uniforme, e fui para a escola com apenas 1 caderno na mochila, canetas, lapiseira e afins.

No caminho, ainda perto de minha casa, notei que haviam vários alunos desta escola, mesmo sendo um pouco distante (uns 30 minutos à pé). Chegando na escola, haviam avisos direcionando as séries. A quinta série, da qual ingressei, ficava no terceiro andar. Restava agora encontrar meu nome nas listas pregadas na entrada das salas. Procurei por muito tempo meu nome até encontrar a minha sala. Mal sabia eu que no saguão principal os nomes dos alunos estavam ordenados alfabeticamente, indicando a sua sala. Salas estas que tinham (ainda têem) nomes de escritores brasileiros.

Entrei para a minha sala e me sentei em terceiro lugar na segunda fileira depois de uma das paredes. Fiquei olhando os alunos que já estavam em sala e os que entravam. Poucos conversavam. Mas minha atenção era nas pessoas. Queria saber se fui para uma sala de CDF´s (os inteligentes demais) ou uma sala de pessoas mais velhas ou brigões ou "mal elementos". Não vi nada de errado. Eram aparentemente pessoas normais, da minha idade e se sentindo um "peixe fora d´água" como eu.

Aula teve início com uma professora se apresentando e mostrando que à partir dali tudo seria diferente. Tínhamos mais regras a seguir. Eram aulas de 50 em 50 minutos, sendo 5 aulas por dia. Apesar de ser conhecido como "intervalo", o período em que acaba uma aula e inicia a outra até a troca de professores, não era permitido aos alunos saírem de sala para nada. Era momento de trocar de caderno e livros. Não era permitido também entrar em outra sala de aula, salvo acompanhado de um professor. Era obrigatório o uso do uniforme (que continua o mesmo desenho até hoje), sendo uma camisa, calça do tipo tactel, com um forro dentro para dias mais frios e blusa também deste material. Tudo personalizado com nome e símbolo da escola. Não era permitida a entrada sem este uniforme ou trajando calças jeans. Existia uma camisa regata, para aulas de educação física. Podia usá-la também. As aulas de educação física eram 2 vezes na semana, sempre junto com a turma ao lado. Meninos com meninos e meninas com meninas. Existiam outras regas impostas pela escola.

Não sei porquê, mas fui gostando daquilo. Muitas regras. Tudo muito sério. Estava me sentindo "homenzinho". Haha.

Regras novas, muitas aulas diferentes disciplinas novas... Bom, vamos ver como eu iria sair.

No decorrer da semana foi basicamente isso. Ia para esta escola e voltava para casa no fim da tarde, sozinho. Meu irmão estudava no período da manhã. Ele tinha 15 anos nesta época. e estava no primeiro ano do ensino médio. Melhor assim, pois não queria vê-lo na escola. Bastava em casa já. Chegou o carnaval e pausa nas poucas aulas que tivemos.

De volta às aulas (o carvanal inteiro passei em casa). Os primeiros dias foram meio normais meio estranhos. Como não tinha amigos nesta escola, no intervalo de 20 minutos, também chamado de “recreio”, eu ia para a biblioteca e ficava folheando atlas e afins. Nicole também foi para esta escola, mas com muitas amigas. Como não tinha amizade com elas, não ficava com a Nicole no intervalo.

Mas desde o primeiro dia de aula, antes mesmo do carnaval, notei que um menino, que morava há 2 quarteirões de minha casa e também estava nesta escola, me encarava muito no trajeto.

Eu ia e voltava à pé, pois minha mãe não tinha como manter uma casa com 3 filhos, faculdade e passagem de ônibus para 2 filhos, tendo em vista que minha irmã ia e voltava de van da escola.

Este menino também ia e voltava à pé. Exatamente mesmo trajeto que o meu. E descobri, na primeira aula de educação física, que ele estudava na sala vizinha, ou seja, faríamos educação física juntos.

No primeiro dia de educação física, um professor muito gordo e muito grosseiro nos apresentou o vestiário e as quadras. Soltou uma bola de futebol para os meninos jogarem e disse que este dia estava livre. Decidi me sentar na arquibancada, pois não iria jogar bola com desconhecidos, apesar de gostar muito (na época, hoje não gosto mais).

Fiquei olhando os demais jogarem futebol, quando notei que o tal menino, que me encarava e morava perto da minha casa, estava vindo em minha direção, subindo as arquibancadas.

Descrevendo-o: branco como eu, olhos pretos, cabelos bem lisos e bem pretos, como os da Nicole. Um pouco mais encorpado que eu (eu era magrelo). Seus cabelos chegavam na altura dos olhos. Era bem legal o cabelo dele. E ele era muito bonito. Mas eu não via com estes olhos ainda. Pra mim era só mais um menino.

Sentou-se ao meu lado e perguntou:

- Você mora no Santo Antônio, né? (nome do meu novo bairro)

- Moro sim.

- Nunca te vi por lá. Mudou tem pouco tempo?

- Aham. Pouco tempo.

Ficamos calados. Eu estava sendo seco. Não sabia o que falar. Daí ele continuou:

- Não quis jogar futebol por quê?

- Ah. Nem sabia que tinha educação física hoje. Não trouxe a roupa.

- Se quiser, te empresto minha camiseta e bermuda – ele disse.

- Não. Melhor ficar aqui.

- Não gosta de futebol?

- Gosto. Só não estou afim de suar hoje.

- Eu não gosto não. Muito chato. Prefiro basquete.

Novo silêncio. Mas ele estava se esforçando pra ganhar minha amizade e parecia valer à pena tê-lo como amigo, pois parecia bem legal.

- Qual seu nome? – ele perguntou.

- Diego.

Nem perguntei o nome dele de volta =( Mas eu não estava sendo sem educação. Só estava muito tímido. Porém, ele falou o nome dele assim mesmo.

- Me chamo Thales. Você vai embora com quem?

Ele sabia que eu iria sozinho, pois me via assim no trajeto.

- Com ninguém não.

- Vamos juntos. Melhor que vamos conversando e nem notamos o caminho.

- Pode ser. – respondi.

Ele soltou um sorriso legalzinho. Ficou feliz por simplesmente eu ter topado voltar com ele. Mas falou que me esperaria na saída perto da minha sala e saiu de perto de mim, do nada.

Fim da educação física. Alguns foram para o vestiário se trocar. Eu fui direto para a sala de aula, pois seria a última do dia. Fim da aula. Arrumo minhas coisas e saio da sala. Corredor era sempre um tumulto muito grande de alunos, mas assim que saí da sala, me deparei com ele.

- Vamos? - ele perguntou.

- Vamos.

No caminho, ele falava muito, mas perguntava pouco, o que era bom pra mim, pois preferia ouvir. Falava que estava empolgado em estudar disciplinas associadas a física e química, pois sempre gostou muito disso. Falou que tinha vários livros ensinando sobre montar placas de circuito simples e afins. Ele falava muito. Eu estava me sentindo incomodado. Mas chegamos. Passamos meio perto da casa dele e fez questão de me mostrar onde morava. Falei que morava na segunda rua à direita. Nos despedimos e fui para minha casa.

No dia seguinte, me surpreendi com ele parado em frente à um bar perto da casa dele que ficava em nosso caminho.

- Vamos? – fala ele (caralho. Ele estava me esperando mesmo).

- Aham.

Ele foi falando mais coisas. Falava de programas de TV sobre ciência e tals e eu só ouvindo. Até que meu celular toca. Era um sms da operadora. Nisso ele dá um sorrisão, tira o celular dele do bolso e diz:

- Me passa seu número?

Falei. E nisso meu tel toca.

- Agora anota o meu ae. – disse ele. Mas mal sabia que eu havia esquecido seu nome.

- Tá. Vou gravar aqui. E guardei o celular.

- É Thales, viu? – ele notou que eu havia esquecido. Peguei o celular novamente e comecei a digitar com ele soletrando as letras do nome.

Chegamos na escola e tudo como antes. Hora do intervalo chega e lá estava ele me esperando na porta da minha sala.

- Vai comprar o quê hoje para comer? – perguntou ele. Mas eu não havia levado dinheiro. Mas também não queria falar isso.

- Não sei. Talvez nada. Estou sem fome.

- Então vamos na cantina da escola. Acho que hoje é arroz à grega.

Eu não gostava de me alimentar com a refeição oferecida por escolas. Era um tumulto muito grande nas filas, brigas, discussões. Eu pensava: “sou pobre mas nem tanto. Não farei refeição em escola.”

Eu disse que não iria também porquê não gostava. Ele disse que iria e sumiu no meio da multidão.

Decidi ir em direção à biblioteca e me encontro com Nicole no caminho que ficou surpresa em me ver. Ficou toda alegre e eu, finalmente, também. Ela disse que estava indo para uma das quadras se encontrar com as amigas e me chamou. Minha alegria durou pouco. Disse que iria pra biblioteca. Nisso a menina se agarra em meu braço e vai me arrastando. Acompanhei ela. Ela me deu a mão e assim fomos. No caminho, alguns alunos olhavam e estranhavam aquilo.

Para chegar na quadra, passávamos perto da cantina. E lá estava Thales, na fila, conversando com mais 2 caras. Sorrindo muito. Até que me viu e ficou encarando muito, descaradamente, até eu e Nicole desaparecermos. Mas ela nem notou.

Chegamos na quadra e encontramos as amigas dela que puxaram muito assunto comigo, mas eu respondia só o básico.

Nisso, uma delas, chamada Samira, solta:

- Gente mas que olhos lindos. Meu sonho ter um par de olhos desses.

Quando olhei para ela, estava falando de mim e todas me olhavam agora. Caralho. Que vergonha.

- É tímido ainda. Ficou vermelhinho. Que bonitinho. – fala Soraya, irmã gêmea de Samira. Mas não eram univitelinas. Não pareciam em nada.

Samira era negra, cabelos cacheados cheios, magrinha e com seios já. Soraya era morena clara, cabelo liso, menos encorpada ainda. Estas meninas eram muito atiradas, porém muito legais.

- Gente, ele é meu. Namoro com ele desde 5 anos de idade. Tirem o olho. – fala Nicole.

- Você tem os olhos mais lindos que já vi. – fala Samira.

Só respondi um obrigado e elas continuaram conversando. De vez em quando falavam de mim e sorriam e eu nem percebia do que estavam falando. Eu estava distante, olhando as pessoas. Até que passa Thales novamente me encarando, anda até certo ponto e volta, vindo em minha direção, mas foi arrastado por um grande amigo dele chamado Artur. Cara do qual tive muitos problemas. Vocês verão.

Fim do intervalo. Nicole vai comigo até perto de minha sala e se despede e cada um para sua sala.

Fim da aula. Novamente Thales me esperando na porta. Na saída da escola, começou a me questionar quem eram as meninas. Falei que conhecia muito a Nicole, de muitos anos. As outras apenas de vista por serem amigas dela. Mas não me senti confortável com ele perguntando muito sobre elas.

No meio do caminho alguém grita o nome dele. Nos viramos. Era Artur vindo correndo em nossa direção.

- Vocês andam muito rápido. E porquê não tem me esperado como combinamos? – pergunta Artur para Thales.

- Nunca te via. Você sempre some.

E fomos andando sem Artur dirigir uma palavra a mim sequer. Eu, calado, não senti falta disso.

Artur morava em um bairro que ficava entre a escola e nosso bairro. Era amigo de muito tempo de Thales.

Chegamos na entrada de seu bairro e Artur se despediu de nós dois.

Descrevendo-o: Artur era mais baixo que todos nós. Moreno claro, cabelos escuros bem curtos, magro e tinha um defeito na perna direita, que era discretamente menor que a esquerda, mas suficiente para ver que ele mancava, mesmo discretamente.

Em nosso caminho, Thales disse que ele sofre um acidente de moto quando era muito novo, fraturando o membro inferior e ficando esta sequela.

E novamente ele começa os assuntos de ciência e afins. Comecei a viajar, pensando nos clipes que gravei no dia do enterro do meu pai. Estava destinado a chegar em casa e ver um por um e depois pesquisar na net os que mais me agradassem (minha internet ainda era discada).

Não prestei atenção em nada que Thales falou. Chegamos perto da casa dele, nos despedimos e fui para minha casa.

Como havia planejado, pesquisei sobre algumas bandas e gostei muito de conhecer mais músicas deles. Eram Nirvana, Garbage e Hole. Que som gostoso. Que agressividade musical. Eu queria entender aquilo.

Os dias foram se passando da mesma forma. Porém, nos intervalos, eu ficava às vezes com Thales, Arthur e seus amigos ou então com Nicole e suas amigas. Mas no fim das aulas, eu tentava fugir de Thales. Ele falava demais. Quando via que não estava me esperando, eu apertava os passos para ele não me alcançar.

Minha mãe, católica, sempre obrigava eu e meu irmão a irmos à missa. Podíamos decidir entre sábado à noite ou domingo de manhã ou noite. Eu geralmente ia no sábado para acabar logo com aquilo, pois odiava. Ia com meu irmão. Minha mãe mesmo não ia à missa. Falávamos de games para fazer downloads no caminho, entre outras coisas. Mas tudo que eu falava para ele da escola, ele contava para minha mãe. Não entendia o porquê. Era muito chato. Até que um dia na escola, Thales disse que me viu na igreja. Eu não havia visto ele. Disse que era para me esperaria todo sábado para irmos juntos, pois ele ia sozinho ou então ia na igreja do bairro do Arthur, onde encontrava muitos amigos.

Agora mais uma tortura. Já não bastasse ter que fugir dele nas aulas, agora nos finais de semana também. Mas com o passar das semanas, acabei topando, pois a companhia dele não era piora que a do meu irmão.

E assim fizemos. Eu saía mais cedo para não sair com meu irmão e encontrava com ele. Mas nem sempre íamos para a igreja do meu bairro e sim para a outra que mencionei. Isso rendeu boas discussões em casa, pois, para minha mãe, eu estava “matando missa” e possivelmente estaria em más companhias. Fruto, mais uma vez, de conversa fiada do meu irmão. Porém, ela não proibiu nada. Só disse que se soubesse que eu estava andando com pessoas de má índole pra deixar de ir à missa, muita coisa ruim me esperava.

Meu refúgio em casa eram as músicas. Cada vez mais elas faziam parte de mim e eu delas. Eu estava apaixonado pelo rock. As letras eram incríveis. Falavam de superação, de lutas, de ideais, de depressão, de política. Mas o que iria mesmo mudar minha visão de mundo PARA SEMPRE estava na minha fita, gravado, e eu ainda nem havia dado a devida atenção.

O ano foi se passando e comecei a gostar cada dia mais da companhia de Thales. Isso começou a acontecer quando percebi que ele me ouvia com muita atenção, dando bastante ênfase em tudo o que eu falava. Eu falava muito de games (que ele não gostava), de músicas e de livros. Muitos falavam de conspiração mundial, inquisição, psicologia e afins.

Ele se interessava tanto nas coisas que eu dizia, que no outro dia ele me falava que pesquisou na internet sobre aquilo e havia lido mais coisas. Ele realmente gostava da minha companhia, e muito. Estava claro. E eu estava começando a gostar da dele. Porém, Artur ainda era um peso pra mim.

Quando mais eu me aproximava de Thales, mais o Artur ficava chato. Me tirava sempre na frente dos outros. Me questionava sobre tudo. Thales bobão não percebia isso. Mas pra mim, eram ciúmes da nossa amizade.

Chegou julho. Fiz 12 anos. Recebi um sms do Thales me parabenizando. Fiquei surpreso, pois nunca havia falado do meu aniversário pra ele (e não me lembro mais como ele descobriu, mas é a mesma coisa até hoje).

Enquanto isso, minha amizade com Nicole estava intensa, grande. Conversávamos muito por sms ou no intervalo das aulas. Alguns finais de semana, sua mãe a trazia até minha casa. Muitas das vezes, eu voltava com elas e retornava bem tarde da noite. A mãe dela me via como um filho mas eu não via Nicole como irmã. Tinha olhares “maldosos” para ela. A menina estava se desenvolvendo muito rápido. Seios já empinadinhos e todo o semblante de uma mocinha. Aquilo estava mexendo mesmo comigo, pois Nicole deitava em meu colo quanto estávamos conversando na calçada dela ou em um banco que ficava na varanda de sua casa, enquanto pedia pra eu acariciar seus cabelos. Sentia aquele cheiro bom de cabelo e às vezes tocava sem querer em teus seios.

Chegando em casa, no clássico banho, relembrava tudo aquilo e começava a imaginar outras coisas, tipo como seriam os seios dela. Como seria tocar nela onde eu quisesse. Era perfeito. Mas eu não gozava ainda. Isto estava perto de acontecer.

Por outro lado, Thales estava confundindo demais minha cabeça. O menino, cheio de amigos no bairro que morava, no bairro do Artur e na escola, não saía do meus pés. Me procurava em minha casa nos finais de semana. Me ligava todo sábado confirmando se íamos à missa, me ligava no domingo me chamando para sua casa ou dizendo que estava indo para a minha ou chamando para andar de bike. Ele se tornou um amigo interessante. Muito legal, interessado em tudo em mim e muito prestativo. Se notasse que eu estava triste com algo (eu nunca falava de meus problemas), ele sempre fazia algo para me agradar. Chamava para ir na casa de algum amigo dele que conheci no outro bairro para vermos filmes, ou ir para algum clube nadar.

E assim passou o resto do ano. Chega dezembro. Férias. Thales ficou visivelmente triste quando falei que iria viajar para São Paulo. Todo ano eu ia para casa de parentes na capital e em Diadema. Porém, desta vez eu iria com Nicole e sua mãe, para a casa de parentes da mãe dela, em São Bernardo do Campo. Eu estava empolgado, pois desta vez seria legal. Iria com uma grande amiga e sua mãe, que também era uma grande amiga pra mim. Desta vez eu ficaria na casa da tia da Nicole. Isso mostra o tamanho da intimidade da família de Nicole com a minha. Não iria para a casa dos parentes de Diadema que viraram evangélicos e tentavam evangelizar todos. Reprimia tudo o que fazíamos. Ficaram muito chatos. Mas ainda tinha minha tia na capital. Eu estava muito empolgado com esta situação.

Passaram-se bons meses, quase 1 ano, desde meu último corte de cabelo. Já estavam apresentando bastante cachos e ficando volumosos. De vez em quando, eu era chamado de “anjinho”. Sempre evidenciava vergonha, mas aquilo estava levantando minha auto-estima.

Chegando em São Paulo (fomos de busão, pois viajar de avião há 16 anos atrás era fora de cogitação para nosso nível social) fomos recebidos na rodoviária pela irmã da mãe da Nicole. Uma pessoa muito legal também. Pegamos o metrô e depois um ônibus até chegar na casa dela. Viajamos durante a madrugada, chegando ao amanhecer. Como não dormi durante a viagem, lanchei, conversei pouco e fui dormir. Havia um quarto para mim. Seria o mesmo quarto do primo de Nicole que tinha lá seus 20 anos. E dormi bastante.

Quando acordei, estavam todos na sala conversando e rindo muito. 2 da tia de Nicole vizinhas estavam lá também. Ao passar pela sala para ir ao banheiro, me deparo com todos. Eu estava com a cara “amassada” de tanto dormir e cabelos muito bagunçados, já que estavam um pouco grandes (mas grandes pra cima. Meu cabelo cresce pra cima =/ ). As vizinhas pararam e ficaram me encarando. Parei também. Imediatamente a tia de Nicole disse quem eu era e as cumprimentei. Começaram a dizer que eu era lindo e que provavelmente era o namorado de Nicole. Todos começaram a rir. Eu também, porém envergonhado e fui mijar. Lavei o rosto depois e escovei os dentes. Voltei para a sala e me sentei no sofá ao lado de uma das vizinhas. Ela começou a conversar comigo sobre muitas coisas. Tivemos um papo bacaninha. Depois disso ela solta para todos que não havia notado que eu tinha olhos claros. Que eu era ainda mais lindo do que havia visto. E o assunto à partir daí foi eu. A mãe da Nicole começou dizendo como eu era quando pequeno, como as famílias se conheceram, como eu e Nicole brigávamos e hoje éramos inseparáveis, que eu era chamado de “anjinho loiro”, entre outras coisas.

Os dias foram se passando e eu estava gostando muito das férias. Mas me intrigava muito como as pessoas me elogiavam fisicamente e repentinamente. À pouco tempo atrás isso era bem mais raro. Será que eu estava mesmo ficando bem bonito? Mas eu não conseguia ver isso. Era um magrelo. Isso é que me incomodava muito. Havia visitado a minha tia de SBC que disse que eu estava um rapaz já. Muito grande e muito bonito. Meu ego estava elevando-se, mas eu não concordava muito com as pessoas não.

Visitamos muitos lugares em São Paulo, saímos muito. Mas o dia especial das férias foi quando eu e Nicole estávamos sozinhos na cobertura da casa da tia dela. Era noite e estava muito quente. Povo estava bebendo lá em baixo. Ela, como sempre, estava deitada em meu colo enquanto conversávamos sobre muitas coisas. Até que vieram assuntos de filhos e Nicole solta:

- Eu quero um menino. Mas só quero também se ele tiver olhos claros. Meu marido terá olhos claros. Sou exigente pra isso como minha mãe.

- E se nascer uma menina de olhos escuros, puxando a mãe? Vai levar para adoção? – brinquei eu.

- Não, meu filho. Futuramente poderemos escolher a cor dos olhos dos filhos, o tipo de cabelo, pele...

- Então você não precisará de um pai com olhos claros.

- Claro que sim. Não quero ele para ter filhos assim. Quero um desse jeito para casar mesmo. Que graça tem olhos escuros? Já basta eu ser assim.

- Acho que você vai ter que se casar comigo então.

Ela riu muito mas deu corda:

- Seria legal. Você nem parece brasileiro. Eu ia esnobar pra todo mundo. Na verdade já faço isso na escola quando andamos de mãos dadas.

- Ahhhh, bonitinha. Então você me usa?

- Claro. Hahahaha.

- Fique à vontade. Pode usar o quanto quiser.

E assim era nossa conversa. Muito gostosa a situação, mas eu estava tenso com uma coisa: estava excitado e tinha medo de Nicole perceber. Não fazia ideia da reação dela em ver ou sentir um menino assim. A minha excitação era devido à nossa conversa, ao fato dela estar deitada em meu colo e todo aquele clima íntimo que estávamos tendo nos últimos dias. Via ela todos os dias à vontade na casa da tia de chinelo, algum vestido, uma blusa com umbigo de fora. E eu também muito à vontade. A excitação aumentou muito, perdi o controle, quando decidi colocar ela em outra posição, pois uma perna estava com caimbra. Eu estava descalço. Ela sai do meu colo, eu coloquei um tornozelo em cima do outro joelho e ela voltou a deitar-se em meu colo quando falou:

- Menino, você é muito pezudo.

- Ué. Sou homem. Normal.

- Normal? Você já deve estar calçando o mesmo que meu pai. Gente, olhe só o tamanho deste pé.

- Ah tá. Só agora você reparou em mim?

- Na verdade só agora tive coragem de falar. Hahahaha

E ela ainda continuou:

- Falam que o tamanho do pé é proporcional ao negócio do homem. É verdade?

- Hahahaha. Sei lá. Não tem como chegar o pé nele para comparar.

- Mas você pode medir os dois.

- Tá. Depois te falo como é.

Esta simples conversa me deixou fora de controle. Ela não percebia que estava deitada em cima de algo muito duro? Mas preferia que continuasse, pois assim não veria o volume na bermuda. E também estava muito bom ela tão próxima a ele. Meu banho seria incrível...

Fim da viagem. Foram as melhores férias. De volta à minha cidade, eu estava bem mais solto. A estas alturas, minha mãe já conhecia Thales e viu que era um menino muito bom. Sendo assim, quase todos os dias restantes das férias, passei junto com ele andando de bike ou na casa dos amigos dele no bairro do Artur. Amigos dele que agora eram meus amigos também, com exceção de Artur que não me suportava não sei porquê. Os outros meninos eram 5, 6 anos mais velhos que nós. Nos tratavam muito bem. Adoravam falar de músicas, o que me aproximou muito deles.

Pulando alguns meses, estava próximo de fazer 13 anos, a idade perfeita, a idade que mudaria muitas coisas em minha vida, tudo muito repentino.

Um dia desses eu estava assistindo a fita que gravei no dia do velório do meu pai e parei em um clipe: Tourniquet da banda Marilyn Manson. Que introdução incrível: algumas falas não compreensíveis, com o som do sintetizador ao fundo passando imediatamente uma sensação de obscuridade. Logo após entra a guitarra fazendo microfonia e logo em seguida sendo tocada. Que clipe perfeito. Que vocalista estiloso. Preciso conhecê-los melhor imediatamente. A música ficou em minha cabeça. Ela tomou conta do meu onírico.

Fui para a internet e acessei a rádio Uol. Tinha todas as músicas deles. Fiquei ouvindo muito alto no fone e comecei a ler sobre a banda. História incrível de superação. As letras eram carregadas de políticas e todo tipo de liberdade: religiosa, sexual e ideais.

Era incrível como fiquei feliz em conhecer esta banda. Eles induziam a ler vários livros psicológicos e ler muito, muito a bíblia, pois esta era a melhor arma para confrontar um mal que estava crescendo no mundo: o fanatismo religioso.

Baixei várias MP3 deles e gravei em cd. Mostrei para o Thales um dia na casa dele. Ouvimos juntos e começamos a “filosofar”. Caralho. Ele gostava de tudo. De qualquer assunto. Mesmo que não concordasse com a gente, ele era muito sutil, educado. A estas alturas ele já era meu melhor amigo. Havia me ganhado. Eu não podia falar de tudo com Nicole, como eu falava com ele.

Passaram-se alguns meses e passou meu aniversário, onde minha mãe me deu dinheiro para comprar o cd que eu quisesse. E claro, comprei Marilyn Manson, álbum Antichrist Superstar. Achei que não encontraria fácil este cd, mas encontrei na minha cidade mesmo.

Ou seja, eu já tinha 13 anos e as surpresas começariam em seguida e parecia que nunca parariam...

Comecei a ter discretos pentelhos em volta do pinto e nas axilas. Me sentia “o cara” me olhando pelado no espelho do banheiro. Punhetas eu batia todos os dias no banho e antes de dormir, na cama mesmo, discreto, quando ouvia meu irmão roncando. Mas um dia foi diferente...

Eu estava masturbando. A sensação estava melhor que nunca. Estava incrível. Parecia que eu estava transando. Eu estava tomado pelo prazer. Prazer este que só aumentava, ficava extremamente forte me fazendo ficar ofegante. Eu não enxergava e nem ouvia mais nada. Estava em outra dimensão. Até que senti meu pinto fazer contrações muito fortes e em seguida saiu um jato quente parecendo urina, porém muito grosso e com espasmos. Foram jatos separados e muito fortes. Eu havia gozado. Minha mão melava. O lençol melava muito. Fiquei parado, com medo de meu irmão perceber, mas ouvi mais roncos dele.

Me levantei e me vesti gozado mesmo. Olhei no banheiro e era algo ralo e meio esbranquiçado. Claro, eu sabia o que era. Mas estava assustado com medo daquilo manchar as roupas e o lençol. Minha mãe iria me xingar e fora a vergonha que eu ficaria. Fiquei pensando em como faria se manchasse. Decidi voltar pra cama e a preocupação agora era dividia com a lembrança da sensação que tive somada com a ideia de que agora eu era um homem mesmo. Eu podia ter filhos agora. Hahaha. Vejam os pensamentos de um adolescentezinho.

Acabei adormecendo e quando acordei não havia nada na cueca e nada no lençol. Havia secado tudo e não deixou mancha nem cheiro. Fiquei muito aliviado. Agora eu queria aquilo todos os dias.

Minha mãe não nos permitia acessar a internet durante o dia devido aos preços. Depois da meia noite, a conexão era com preço único, assim como nos finais de semana (internet discada).

Nas sextas-feiras de madrugada e nos finais de semana, quando meu irmão não estava no pc, eu acessava sites pornôs heterossexuais. Via muita coisa quando todos dormiam e ia me deitar, onde me masturbava, gozava e dormia feliz.

Eu sempre apagava os dados de navegação. Porém, um dia minha mãe me chama para conversar. Era algo sério. Meu irmão havia achado páginas gays abertas. Homens muito musculosos se exibindo e transando. A página estava aberta e minha mãe me questionando porquê acessei aquilo. Eu não sabia nem como me defender. Eu nunca havia visto aquelas coisas. E porquê tinha que ser eu? O argumento era de que meu irmão jamais entraria em páginas assim, por ser um filho exemplar. Mas eu, ela mal conhecia e podia esperar tudo ou nada de mim. Isso eram palavras dela. Palavras que doeram muito. Eu nunca fiz nada de errado. Eu nunca sequer toquei a campainha na casa de alguém e saí correndo. Porquê estava sendo tão agressiva comigo? E porquê meu irmão estava dizendo que acessei aquilo, se não o fiz? Eu apenas neguei, chorando. Mas também não admiti que acessava sites pornô heteros. Hoje, acredito que a página deve ter sido aberta sozinha, pois acontece muito com algums sites pornôs. Ficam muitas páginas abrindo sozinhas, em segundo plano. Como não vi, limpei os dados de navegação e nem desliguei o pc. Fui dormir.

Meu irmão incitava minha mãe a ficar de olho em mim, pois o cd que eu comprei era de um vocalista que parecia um travesti e era gay. Eu até hoje não entendo porquê meu irmão me odiava tanto. Parecia que o sonho dele era me ver fora da família. Mas eu mal ocupava espaço ali. Éramos pobres e eu tinha ciência disso. Quando eu pedia algo à minha mãe, entendia quando não podia comprar. Eu não era um revoltado. Eu não era um moleque de rua que aprontava por aí.

Minha mãe me chamou para outra conversa dias depois, quando notou que eu mal falava em casa e nem perto deles ficava. Ela estava calma e iniciou um assunto sobre puberdade e curiosidades. Resumindo, ela disse que eu continuaria sendo seu filho mesmo se estivesse gostando de homens, mas ela queria saber a verdade e queria que eu tentasse a vida oposta primeiro. Poxa. De onde tirou que eu era gay agora? Era resultado de mais conversa fiada do meu irmão com ela.

Na escola e quando estava fora de casa, era tudo normal. Estava tudo muito letal. Mas em casa eu simplesmente me deteriorei. Eu não ficava perto de ninguém nunca. Estudava no lado de fora com meus cães deitados em meu colo. Cada dia mais eu perdia minha mãe e não entendia o porquê.

O dia mais triste foi quando minha mãe saiu com meus irmãos e na volta estavam cheios de sacolas. Eram roupas. Roupas para meu irmão e minha irmã. Apenas. Eu, idiota, entrei em casa para ver as minhas, quando vejo cada um guardando a sua. Nada falei. Apenas voltei para fora e fiquei no meu cantinho predileto, onde minha mãe havia instalado uma rede debaixo de um pé de abacate. Estava anoitecendo. Coloquei meus dois cães na rede e chorei. Chorei muito, mas em silêncio. Acariciava meus cães que me olhavam muito atentamente e dizia que eles eram minha família. Eu havia sido esquecido na casa. Outros episódios parecidos ocorreram em dias bem próximos. Eu queria cuecas novas. Eu estava grande e queria pedir para minha mãe comprar maiores para mim com a vendedora que sempre passava em nossa casa. Quando ela veio, nada para mim novamente. Eu não ganhava nem utensílios pessoais necessários mais. Tinha apenas refeição e itens de higiene. Não podia mais acessar o computador e celular foi tomado de mim. Precisava de canetas e grafites de lapiseiras mas não tinha como adiquirir. Algo muito errado aconteceu e eu estava sendo julgado. Mas que porra era?

Nestas alturas, apenas minha irmã conversava comigo. Ela tinha dó de mim e, como eu, não entendia nada do que estava acontecendo. Ela tentava sempre brincar comigo, mas eu não queria que ela me visse chorando.

Passaram-se semanas assim e estar fora de casa era a melhor coisa do mundo. Odiava finais de semana. Queria meus amigos, minha escola. Queria ficar longe daquela casa. Eu deveria sair de casa? Mas pra onde? Pedir esmolas em outra cidade? Eu não aguentaria nem 10 horas de fome e voltaria. Deveria me matar então? Mas como?

Fora de casa, como disse, as coisas eram legais. Mas começaram a vir pesadelos também fora de casa. Nicole, a menina da qual eu simplesmente tinha um amor imenso e uma atração muito grande, começou a namorar um menino de 19 anos na época. Ela teve desentendimentos com a mãe no início, por namorar tão nova, mas ambas entraram em um acordo de que o namoro seria sempre dentro de casa e com a mãe dela lá. E eles nunca sairiam sozinhos.

Nicole era dele. Ela não podia mais deitar em meu colo e passar horas sozinha comigo. Me afastei da casa de Nicole, pois o menino me odiava. Nicole falava demais de mim e ele tinha muitos ciúmes.

Minha tristeza agora era visível. Thales não questionava muito, pois sabia que eu não falava dos meus problemas. Mas sempre fazia algo para me agradar, me distrair.

Estávamos indo quase todos os dias no bairro do Artur. Gostava muito dos carinhas de lá. Eu já havia ficado conhecido no bairro também. Apenas Artur demonstrava não gostar de mim e decidi provar isso ao Thales, que disse nunca perceber.

- Cara, ele deve ir para a pracinha hoje. Note bem quando eu falar algo e veja a reação dele. Ele não só discorda mas também retruca e acha sempre ridículo. Sinceramente, acho que ele tem muito ciúmes de nossa amizade. – falei.

- Nada a ver. Por quê ter ciúmes de amizades? – Thales disse.

- Vai ver é gay e gosta de você.

Começamos a rir. Nisso chegaram alguns amigos (como disse, cerca de 4, 5 anos mais velhos que nós) e pouco depois o Artur chega.

Falávamos de música, quando citei Marilyn Manson. Estava falando dos arranjos musicais perfeitos, quando fui cortado por Artur:

- O quê? Você ouve aquilo? O cara tirou costelas para chupar o próprio pau. O cara é nojento. Você deve ter vontade de fazer o mesmo já que ouve isso.

Olhei para Thales que me encarava. Finalmente, depois de muito tempo, ele notou como Artur era escroto comigo. Mas a situação durou pouco, pois os meninos o cortaram falando que o som era bom e tals. Dois deles tocavam guitarra e sabiam da minha grande admiração por bateria. Gostavam muito do meu gosto musical, da minha seletividade para músicas e de como eu falava sobre o assunto.

Na volta para casa, eu e Thales fomos conversando sobre as atitudes de Artur. Não entendíamos por quê ele agia assim. Eu menos ainda. Por quê 2 pessoas me odiavam tanto? Artur, do nada, desde que conheci Thales. E meu irmão, que conseguiu manipular minha mãe contra mim.

Nas aulas de educação física, às vezes o professor liberava a aula e podíamos jogar futebol, basquete ou tênis de mesa. Eram 2 quadras cobertas e uma livre. Como já disse, a escola era muito grande e com muitos alunos. Eu sempre jogava futebol quando liberava a aula e ficava de goleiro. Sempre gostei e gostavam muito da minha defesa. Mas na linha eu era desastroso. No gol, eu tinha em mente que estava ali para “apanhar”. Se a bola está perto do gol, o adversário tentará fazer o gol a qualquer custo e cabe a mim não deixar, a qualquer custo também. Com isso na cabeça, eu sempre me atirava em cima dos atacantes, o que me custava algumas escoriações e discretos hematomas.

Já notava no vestiário que alguns meninos já tinham pelos nas axilas também. Alguns eram tão atrevidos e andavam pelados, mostrando o pinto cabeludo. Eu achava estranha a situação evitando olhar qualquer coisa. Mas alguns me chamavam a atenção quando se trocavam. Eram os mais próximos de mim na sala de aula e também Thales. Eu evitava olhar para o Thales no vestiário, mas já conhecia bem seu tórax. Sempre que me chamava para sua casa, estava sem camisa e descalço. Via que tinha mais pelos que eu nas axilas e já tinha pequenos pelos no peito. Ele estava ficando meio fortinho. Suas pernas também estavam começando a ter bastante pelos.

Minha convivência com Thales era cada vez maior. Estávamos sempre juntos e algo estranho dentro de mim estava nascendo. Até que um dia, decido me masturbar pensando nele. Fiquei imaginando como seria nós dois nus. Ele pegando em meu pinto e chupando. Imaginei eu comendo ele. Tentava imaginar como era sua bundinha. Gozei. Gozei muito. E me arrependi...

Bateu algo em mim muito ruim. Parecia que estava traindo nossa amizade. Ele não devia imaginar que eu estava fazendo aquilo. E pra piorar, eu estava pensando em um homem. Por quê estava fazendo aquilo? E por quê gostei?

Mesmo com este sentimento de culpa, minha atração por ele só aumentava e minhas punhetas também. Ele era o único homenageado por mim agora. E suas atitudes comigo eram cada vez mais estranhas, porém eu tentava acreditar que eram coisas de minha cabeça.

Thales queria que eu fosse todos os dias em sua casa agora, depois do almoço, pois seus pais trabalhavam. Seu irmão pequeno sempre ficava na casa de uma tia. Thales me mostrava filmes pornôs que ele tinha escondido e assistíamos juntos. Muitas das vezes havia alguma brincadeira suspeita entre nós, mas algo leve. Até que um dia comecei a acreditar que Thales também estava com desejos sexuais para homens.

Após vermos um filme pornô, fomos estudar. Thales não estava com vergonha de mostrar que estava excitado. Estava como sempre, sem camisa, descalço e de bermuda. Era visível o volume quando ele se levantou do sofá. Ao sentarmos à mesa da cozinha para estudar, pedi a ele a borracha emprestada. Ele pegou a borracha e ao me entregar, fechou a mão e disse para eu tentar pegar. Tentei abrir a mão dele e ele se levantou rapidamente, ficou atrás de mim e começou a me enforcar com o outro braço. Consegui me levantar e iniciamos uma “lutinha”. Eu sempre era dominado, pois ele era mais forte do que eu, mas eu nunca desistia. Eu também estava excitado e ele não tinha censura em olhar para meu pinto, enquanto eu fingia não ver nada nele. Mas era um momento mágico nosso para mim. Sentia seu corpo quente e suado esfregando no meu. Thales ria muito. Estava se divertindo com aquele clima de sedução. Em um momento em que ele me imobilizou, me levou para o quarto de seus pais e me jogou na cama. Fiquei deitado de bruços enquanto ele torcia meus braços. Eu chutava ele por trás, acertando a bunda dele. Até isso me dava tesão. Ele decidiu se sentar em minhas costas e falou que só sairia dali depois de eu pedir perdão.

Eu não pretendia pedir nunca, pois estava muito bom aquilo. Ele insistindo para eu falar, e como eu não falava, Thales solta:

- Você vai mesmo ficar machucando seu pau na cama? O peso do meu corpo sobre o seu vai quebrar teu pinto aê.

Caralho. Ele viu mesmo que eu estava excitado e nem se importava com aquilo. Isso pra mim foi uma surpresa tão boa que ali, naquele momento, vi que podia sempre bater punheta imaginando ele seu neuras. Mas por quê punheta se ele estava ali?

Thales estava muito cansado e deitou-se ao meu lado. Ficou me encarando, olhando no fundo dos olhos. Comecei a ficar tenso. Será que ele iria me lascar um beijo do nada? Ele olhava e não parava. Estava sério. Até que perguntou:

- Você ainda quer a borracha?

- Claro. Preciso dela.

- Então pegue. – colocou-a dentro da cueca e voltou a me olhar sério. Fiquei encarando ele por alguns minutos sem entender nada, sem saber o que fazer. Mais uma vez, Thales pediu para eu pegar. Eu sentia algo tão forte como nunca havia sentido. O tesão era tão grande que sentia algo como se tivesse me enforcando. Meu pinto estava explodindo dentro da cueca. O clima, o cheiro dele, nossa aproximação, teu corpo quase nu e ele pedindo para eu explorar teu pinto. Tomado por uma força de tesão muito forte, meu braço se levantou para pegar a borracha... quando a campainha toca.

Ele se levantou rápido, nervoso, pois seus pais tinham mania de tocar a campainha e abrir o portão. Nem sei porquê faziam isso. Também me levantei rápido. Fui para a cozinha e me sentei próximo aos nossos cadernos. Mas ninguém entrou na casa e a campainha continuava. Thales foi atender. Era Artur. Estava chamando Thales para andar de bicicleta e foi convidado a entrar. Meu cabelo, já meio grande, volumoso, entregava algo. Estava muito bagunçado. Thales estava ofegante. Artur percebeu que algo rolou ali mas nada falou.

Thales me chamou para ir com eles andar de bike. Topei e voltei para casa para pegar minha bicicleta. Cheguei e nem 2 minutos depois eles chegaram também. Minha mãe atendeu e pediu a eles para entrar, o que não me agradou muito.

Thales ia muito pouco em minha casa. Agora que o clima estava tenso, nunca mais o chamei. Artur nunca havia entrado em minha casa.

Vieram até meu quarto e eu estava sem camisa. Estava procurando alguma outra. Artur ficou encarando meu corpo, porém com um semblante muito fechado. Viu um cd do Marilyn Manson e ficou olhando para ele, folheando o encarte.

Andamos de bike em um bairro ainda sem casas até o sol se pôr. Voltamos para nossas casas.

Em casa, o clima chato continuava. Fora minha irmãzinha, ninguém conversava comigo. Sentavam-se na sala e assistiam TV juntos, enquanto eu ficava no meu quarto ouvindo músicas ou com meus cães do lado de fora ou estudando. Mas computador não era mais acessível para mim. Não que soubessem, pois eu estava quebrando as regras. Às vezes eu acessava a internet de madrugada com todos dormindo e baixava músicas, gravava em cd e ouvia no quarto depois. Eu estava ouvindo Manson quando minha mãe sai da sala e vem até meu quarto, se dirige a mim e pergunta:

- Qual o seu problema? Você faz as coisas apenas para me irritar ou você é mesmo problemático? – não fazia ideia do que ela estava falando. E continuava:

- Olha, se você quiser, te mando para morar com algum tio seu em outro estado. Já passei por muita coisa ruim nesta vida e não deixarei que uma cria minha seja um peso para mim. Nossa relação já não anda nada boa e você ainda por cima insiste em seguir caminhos alternativos.

Mas que caralho. Do que minha mãe estava falando? Ela estava muito brava. Será que de alguma forma ficou sabendo da brincadeira minha e do Thales? Eram minhas punhetas? O que havia de errado?

Enquanto ela xingava, eu ouvia, com os olhos cheios de lágrimas. Mesmo não sabendo o que era, eu tinha ciência que não havia feito nada de errado e isso me machucava ainda mais. Eu não ia perguntar a ela o que era. Decidi me levantar, pois eu iria começar a chorar e não queria que ninguém visse. Ia ficar com meus cães. Até que ela me segura pelo braço e diz em tom bem alto:

- Não me ignore. Bicha? É isso que significa agora? Primeiro aqueles homens pelados e agora você se intitula bicha?

Comecei a chorar. Eu não conseguia falar. Não fazia ideia do que ela estava falando. Até que ela pegou minha pequena coleção de cds gravados por mim, pegou um específico e disse:

- Olha o que eu faço com esta merda. – e quebro-o, jogando as partes quebradas em mim. Comecei a ficar com muito medo dela. Ela pegou os meus cds todos e jogou no chão. Chamou meu irmão e pediu a ele para mostrá-la o quê mais ele viu de errado ali. Ele disse que era o cd de Manson possuía influências ruins sobre religião. Mas o cd que ela quebrou era o cd de viado mesmo.

Eu não chorava alto. Apenas saíam muitas lágrimas, mas ao ponto de não me deixarem falar. Fui me recompondo e perguntei, no meio dos gritos dela, o que havia de errado com aquele cd. Ela respondeu:

- Não se faça de bobo. Vocês já estudam inglês na escola e você está usando isso para seguir um caminho sujo. Seu irmão me mostrou este cd aqui que está escrito “Queer”.

Caralho. Não acredito que aquele era o motivo da briga. Ela estava praticamente me pedindo para sair de casa devido a uma música chamada Queer, da banda Garbage. Tinha este nome e mais uns 5 escritos no cd. Eram as músicas que eu mais gostava, mas nem conhecia a letra e sequer sabia que “queer” pode ser traduzido como “bicha”. E pior que a música nem fala disso. Fala de pessoas estranhas, uma letra até um pouco agressiva. Leitor, procure por esta canção. Ela é muito gostosa.

Depois disso, minha mãe me proibiu também de ouvir músicas. Recolheu meus cds, mas não quebrou mas nenhum, e os guardou no quarto dela. Quando ela estivesse na faculdade, meu irmão tinha autonomia de me vigiar. Minha vida estava conseguindo ficar ainda pior.

No outro dia, na escola, mais problemas.

No intervalo, me encontro com Thales que me levou para ficar conversando com pessoal de sua turma. Um povo legal e já estavam acostumados comigo. Estávamos no segundo andar, perto do corredor das salas. Era proibido entrar nas salas de aula nos intervalos. Chega Artur. Cumprimentou a todos menos a mim e com ódio nos olhos começou a caçoar de mim:

- Ontem fui na casa do Diego e ele estava sem camisa. Parecia uma vara de pescar de tão magro. - Os caras, que adoravam zuação, começaram a rir. E ele continuou.

- E o suvaco cabeludo dele. Já acha que é homem. – os caras riam, menos Thales. E Artur não parava:

- Ele ouve Marilyn Manson. O cara que chupa o próprio pau. Tem que ser muito viado pra ouvir isso. – eu e Thales estávamos sérios quando pra piorar a situação, passa por nós o Ederson. Um cara 3 anos mais velho, muito alto e forte, mal elemento, sempre envolvido em confusões. O cara metia medo em geral na escola. Já bateu em vários meninos e no momento ele e sua trupe pegavam no pé de Bruno, um menino magrinho como eu, porém indefeso. Eles disputavam quem dava tapas na nuca dele mais forte, jogavam ele no chão com rasteiras e pra piorar... eles agarravam Bruno por trás e ficavam pressionando a bunda deles contra suas genitálias. Isso no intervalo, quando invadiam as salas de aula e quase ninguém via. O coitado do menino era o sinônimo de humilhação.

Voltando para nós, Artur chama Ederson que passava perto de nós e fala pra ele que eu gostava de chupar pinto porquê ouvia músicas de um travesti que fazia isso. Não deu outra. Comecei a ser a atenção de Ederson e sua trupe. Neste dia me zuaram com isso que Artur fez e deram uns tapas em minha nuca. Não fiz nada. Fui humilhado.

Fim da aula. Desta vez consegui correr de Thales. Não queria ir embora com ele, pois Artur devia vir junto. Agora eu teria que ir para o inferno de minha casa e estava com medo da escola ser o segundo inferno. Eu não ia suportar ser um segundo Bruno.

Cheguei em casa e nem quis estudar. Eu estava muito mal com minha família e agora estava começando a ter medo da escola.

Voltaram os pensamentos de “sair desta vida”, “dar fim nela”. Eu não queria mesmo ficar neste mundo. Eu não pertencia a este lugar. Eu era um peso vivo para minha mãe, que mostrava claramente querer de alguma forma se livrar de mim. A escola, da qual eu gostava tanto, agora podia ser meu local de humilhações.

Diante de tantos acontecimentos, estava decidido. Assim que minha mãe saísse para a faculdade, eu sairia desta vida. Só tinha que pensar como.

Peguei alguns livros dela (relembrando, minha mãe fazia faculdade de enfermagem) e vi um de toxicologia. Fiquei folheando e vi métodos de desintoxicação com carvão vegetal e logo depois vi um tipo de intoxicação fácil: mamonas.

No livro falava do alto poder de intoxicação das sementes das mamonas, que, se ingeridas em uma quantidade em torno de 20 unidades, poderia levar a óbito. Pronto. Era o que eu faria. Mamonas tinham em todo lugar no bairro.

Minha mãe se arrumava para sair enquanto eu estava extremamente nervoso. Olhava para o relógio e via que eu não chegaria mais ao dia seguinte. Hoje eu iria embora. Decidi esperar ela sair do lado de fora, com meus cães. Chorava muito, conversando com eles dizendo que eram os únicos seres que se importaram comigo. Mas eu tinha que ir embora. Eles ficariam em boas mãos.

Resumindo, minutos depois que ela saiu, saí também e andando apenas uns 100 metros, encontro muitas mamonas em um lote. Peguei muitas e coloquei nos bolsos da bermuda. Voltei para casa e subi para o telhado (não era coberto). Estava com medo de passar mal e alguém ver. Queria ter certeza de que aguentaria. Comecei a abrir as mamonas e engoli alguns caroços. Muito amargo aquilo, não tinha como continuar engolindo a seco. Desci e peguei água. Voltei e continuei. Tomei o equivalente a umas 30 mamonas. Chorava muito. Via um céu estrelado e tinha por mim que nunca mais veria aquilo. Era questão de minutos. E eles passaram, e passaram. Eu não senti absolutamente nada.

Fiquei frustrado com minha tentativa. Aquilo não era tóxico porra nenhuma. Eu tinha que encontrar uma forma segura de fazer sem ninguém ver. Até que me lembrei que enquanto eu tomava estes caroços, debaixo da caixa d´água tinha soda cáustica. Sabia do grande poder de corrosão daquilo. Pronto. Seria com isso mesmo. Me destruiria por dentro e eu não teria chances. Mas eu queria conseguir tomar sem corroer minha garganta.

Peguei alguns medicamentos em cápsula e levei pra cima. Abri as cápsulas e retirei o que tinha dentro, colocando a soda dentro. Tomei algumas cápsulas e agora sim eu tinha a certeza de que iria passar mal. Eu deveria ser forte, pois iria sentir muita dor. Novamente chorava muito esperando o efeito. E nada. Passaram horas. E nada.

Decidi descer. Tomei banho muito triste com a vida e frustrado com as tentativas. Agora eu não sabia mesmo como sair desta vida.

Fui dormir antes mesmo de minha mãe chegar.

Acordei normalmente. Não sentia mal algum. Almocei e fui para a escola.

No intervalo, eu estava com Thales e umas meninas no mesmo local do dia anterior. Quando chega Ederson perguntando se eu já chupei meu próprio pau. Ele estava acompanhado com outro menino. Um marginalzinho também. Nisso, ambos deram tapas em minha nuca. Eu não sei explicar o que deu em mim, mas foi incrível. Num ato de coragem que nem sei de onde tirei, me levantei e muito rapidamente empurrei Ederson, que se desequilibrou e caiu nas escadas... e foi caindo. Todos se levantaram para ver. Ouvi algum dizer:

- Caralho. O Ederson morreu.

Ele caiu vários degraus e pra mim ele estava mesmo desacordado. Nisto, o seu amigo tenta me empurrar nas escadas também. Peguei ele pelo braço com uma força que eu nem sabia que tinha e empurrei contra a porta que dava acesso ao corredor. Ele bateu forte na porta, fazendo um barulho bastante alto. Mas ele nem bateu com tanta força assim. A porta que era barulhenta e solta mesmo. Mas deu a impressão nas pessoas de que eu quebrei as costelas do menino ali. Nisto, corri. Fui em direção à minha sala e o marginal atrás de mim. Entrei em minha sala rápido e ele ficou na porta. Não entrou. Caso brigássemos dentro da minha sala, seria muito pior para ele, pois invadiu minha sala.

Nisto chegam alguns meninos e meninas e entram em minha sala. Alguns perguntando o que houve, outros narrando tudo. Estavam todos eufóricos com aquela confusão toda.

Fim do intervalo e todos para as salas. Professor não conseguia dar aula, pois os alunos só falavam de mim. Diziam que acabei com Ederson, o cara mais temido da escola. E de quebra acabei com teu amigo também. Eu estava com medo. Não sabia o que me esperava agora e não estava respondendo às perguntas de niguém, quando sou chamado na sala por um inspetor de alunos para comparecer na direção.

Fui e com muito medo. Será que Ederson estava no hospital? Eu seria expulso? Como eu iria pra casa agora? Já não era aceito sem fazer nada, sendo expulso então...

Chegando na diretoria, para minha surpresa, estava Ederson, apenas ralado, e seu amigo. A diretora pediu explicações e eles começaram a inventar situações ridículas. Tão ridículas que um falava uma coisa, o outro falava outra. Diante de tanta mentira, a diretora nem me deixou falar. Pediu silêncio aos dois e disse para Ederson:

- Olhe aqui. Este é seu último ano nesta escola. Não nos é permitido manter um aluno com mais de 3 anos de idade de diferença com outros. Sendo reprovado mais uma vez, você iria para o período noturno. Mas iria. Não vai mais. Se você for reprovado mais uma vez, o que é óbvio, estará fora desta escola. Você já nos trouxe problemas demais. Até judiciários. Uma pena o Diego ter se defendido tão bem, pois pra mim basta apenas um arranhão em qualquer aluno vindo de você, e sua expulsão está pronta. E atreva-se a brigar fora da escola com um aluno daqui. Apenas atreva-se.

Caramba. Ela xingava muito ele e o marginalzinho. Eles estavam assustados e eu mais calmo. Até que, para minha surpresa maior, ela diz que estou liberado para voltar à sala de aula e qualquer coisa, deveria reclamar direto com ela.

Voltei feliz. Ederson não se machucou e ainda ficou na diretoria ouvindo muitas ameaças. Na sala, me perguntavam se fui advertido ou expulso. Falei que não. Nem precisei falar nada. A diretora estava brava era com eles. Mas não dei detalhes.

Eu não imaginava a repercussão do que fiz. Eu apenas me defendi. Mas para a escola inteira, eu havia batido nos 2 piores alunos da escola, sozinho.

No intervalo do dia seguinte, as pessoas vinham até mim e perguntavam o que aconteceu com Ederson, pois não apareceu na escola. Se foi expulso e tals. Eu não fazia ideia. Mas no dia posterior ele apareceu.

Nunca mais nenhum aluno tentou zuar comigo. Eu, um magrelo, agora com fama de “batedor”, sendo que apenas empurrei os caras.

Quanto ao Artur, em um dia que estava junto de nós no intervalo, falei com ele o seguinte:

- Fale com seus amigos marginais para deixarem o Bruno em paz, ok? Eles sabem do que estou falando. E você também.

- Que Bruno? – pergunta uma das meninas.

- Estuda na Clarice Lispector.

- Mas o que fazem com ele? – volta a perguntar a menina.

- Vou dizer o que aqueles marginais, amigos do Artur fazem: eles agarram ele por trás e simulam uma transa com ele. Com um homem. Fazem isso quase todos os dias no intervalo. Agora me diga: homem que gosta do corpo de outro homem é o quê mesmo? – perguntei olhando pro Artur. – Me responde, Artur. Você e os marginais são o quê mesmo? A palavra é pequena e simples. Começa com “g”. – insisti eu.

Artur ficou assustado com minha reação e alguns começaram a zuar com ele.

Não sei se realmente o recado foi passado, mas não mexiam mais com o Bruno também.

A minha relação com a escola foi restabelecida. Fim do ano chegando e eu continuava com Thales na cabeça. Thales estava um pouco mais afastado de Artur, pois ele fez conversa com nome do Thales também, mas ninguém acreditou. Continuava jogando no gol nas aulas de educação física quando comecei a receber “torcidas”.

Um dia, do nada, ouço um grito vindo das arquibancadas: “Diego lindoooo. Anjinhoooo lindoooo”.
Eram Soraya e Samira, as gêmeas, e Nicole, sentadas na arquibancada.
ATINGI LIMITE DE CARACTERES. POSTAREI CONTINUAÇÃO



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