"Os mais excitantes contos eróticos"


Regresso ao Canavial — 1


autor: Rosário
publicado em: 24/10/17
categoria: bdsm
leituras: 1046
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Fonte: maior > menor


NOTA PRÉVIA: Este texto vem no seguimento de "Terror no Canavial", um conto que pode ser lido aqui. O mesmo, mas com fotos dos locais, pode ser visto em:
o-subterraneo.blogspot.com
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PARTE I
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Quem costuma ver as minhas páginas no Facebook sabe que eu afixo, de vez em quando, fotografias de praias algarvias que, invariavelmente, são muito apreciadas; e por isso não estranhei quando, um dia, uma das minhas amigas virtuais me pediu autorização para partilhar algumas — eram da Praia do Canavial, no Algarve.
Claro que anuí, agradecendo até a atenção, e pouco depois fui ao seu "perfil" para ver quais as que ela tinha escolhido e lá meter os inevitáveis "likes".
Imagine-se, agora, a minha surpresa quando, além das fotos copiadas da minha página, encontrei outras, também de minha autoria, mas obtidas "noutro lado"!
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E vou ter de fazer um parêntesis, para que se perceba a que "outro lado" me refiro, e explicar o meu espanto inicial e o embaraço que se lhe seguiu:
Há algum tempo, de visita a essa praia, resolvi usar o cenário natural que ela me proporcionava (de rochas e grutas) para escrever uma fantasia de teor Femdom (a que dei o nome de "Terror no Canavial"), que publiquei no meu blogue secreto.
Pois... trata-se disso mesmo: um blogue secreto, onde afixo imagens e textos de teor S/M, em nome de um tal Rosário (ou Mendonça Rosário) que, como já se percebeu, é o meu pseudónimo para essas publicações.
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Pois, como disse, essa tal amiga descobriu a minha página secreta — mas teve a elegância de não comentar o facto, da mesma forma que eu tive o cuidado de nada dizer...
No entanto, e como se compreende, passei a dar-lhe particular atenção, explorando com cuidado o seu perfil pessoal, por onde fiquei a saber que éramos moradores na mesma terra! Porém, e mesmo que alguma vez eu a tivesse visto, dificilmente me lembraria dela, pois não tinha nada que chamasse a atenção: não era bonita nem feia, nem nova nem velha, nem gorda nem magra, nem alta nem baixa...
A sua página era perfeitamente banal, mas o facto de ela ter andado a "passear" pelo meu espaço de BDSM levava-me a suspeitar que devia ter outra, muito provavelmente de sub ou de ‘domme’, mas certamente 'fake' — e resolvi investigar.
Ora sucede que, no meu blogue, eu tenho instalado um velho 'site-meter' que me dá preciosas informações acerca dos visitantes — na realidade, só falta dizer-me a cor dos seus olhos!
E foi assim que, com isso e com outras ajudas preciosas (que, evidentemente, não vou revelar aqui), cheguei à página de uma tal "Raposa Cruel" — uma ‘domme’, portanto!
Ah!, como as pessoas são diferentes quando se julgam protegidas pelo anonimato! Como são verdadeiras!
Pois quem diria que a minha amiga virtual, pessoa impecável como D. Irene, tinha aquelas fantasias, que confessava a coberto daquele estranho nome?!
Sim, aquela senhora com carinha de santa; que em algumas fotos aparecia de óculos; que fazia croché e bolinhos de cenoura (cujas fotos exibia com justificado orgulho); que certamente podia vir a dar uma boa avó (se até não fosse já!)... era uma fervorosa coleccionadora de imagens chocantes!
Pois bem; quando eu digo "imagens chocantes" não me refiro a imagens de sexo explícito, mas a algo muito pior:
D. Irene coleccionava imagens (de preferência gravuras antigas) que mostravam autos-de-fé, execuções, torturas e suplícios, inventados e reais! O problema é que não o fazia por interesse histórico, mas por puro prazer sádico, que se denunciava nos textos com que acompanhava as imagens.
Entre outras coisas, ela pedia que, quem tivesse, lhe enviasse desenhos e descrições de aparelhos e instrumentos de tortura!
Fiquei tão chocado com aquilo que resolvi provocá-la, para ver até onde podia ir a perversidade daquela senhora.
Para isso, usei um perfil 'fake' que já tinha há algum tempo, e enviei-lhe, por SMS, um velho desenho de um estranho aparelho de tortura, com umas rodas, umas alavancas e umas roldanas, mas cujo funcionamento não se percebia. Ou melhor: havia uma longa explicação em latim, mas que eu não sabia traduzir.
Ora, a resposta dela não se fez esperar!
Além de me agradecer em termos que bem revelavam o prazer que eu lhe dera, quis saber muitas coisas, a começar pela decifração da legenda, a época, etc.
Por estranho que pareça, não perguntou nada acerca de mim, nem sequer o meu nome. Para ela, o facto de eu aparecer como alguém interessado no tema do S/M já era mais do que suficiente, tendo achado (e bem) que o anonimato mútuo só podia ser vantajoso.
Começámos, então, a trocar mensagens cada vez mais longas e completas, e a pouco e pouco ela foi desvendando uma perversidade inaudita.
Um dia, enviou-me um desenho feito por ela. Tratava-se de um suplício que inventara, e que descrevia com pormenores arrepiantes! No fim, não só perguntava a minha opinião, como pedia sugestões para o "melhorar"!
Eu respondi que, para se perceber bem aquilo, era preciso incluir no desenho uma imagem da vítima... e ela assim fez de imediato!
Rapidamente percebi que, para além de mim, ela não tinha ninguém que a acompanhasse naqueles delírios sádicos; e um dia, durante uma conversa mais explícita, deu-me a entender que tinha orgasmos com tudo aquilo. Eu respondi-lhe que há muito tempo que me apercebera disso, mas que não se preocupasse, dando-lhe a entender (embora não fosse verdade) que comigo sucedia o mesmo...
Pouco depois, ela foi mais longe, e confessou-me que por vezes se masturbava enquanto me escrevia — e eu dei-lhe a mesma resposta...
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Um dia, sucedeu aquilo que é inevitável numa terra pequena como aquela em que vivíamos: encontrei-a num supermercado; evidentemente, não me aproximei — limitei-me a acompanhar, de longe as compras que ia fazendo, sabendo que, com isso, ficaria a saber muito mais acerca dela. O carro (um pachorrento 2 CV cor de malva) também era significativo, tendo a vantagem de ser inconfundível, devido à cor com que estava pintado.
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Peguei então na minha bicicleta, experimentei segui-la e, como era previsível (devido aos engarrafamentos habituais aquela hora), não foi difícil: ela morava perto, a perseguição foi curta e acabou numa modesta vivenda, no extremo de um bairro onde eu passava muitas vezes a caminho da praia.
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Entretanto, as nossas conversas virtuais continuavam, eram cada vez mais frequentes e o tema era sempre o mesmo. A diferença estava apenas no tom, que era cada vez mais intimista, com confissões de parte a parte que dificilmente aqui contarei.
Ora, e como eu disse logo no início, ela andara a ver o meu blogue, ao qual chegara na sequência da pesquisa que fizera de fotos da Praia do Canavial.
Das fotos passara aos textos, depois aos milhares de imagens que lá tenho arquivadas (a grande maioria das quais é de Femdom) e, visivelmente excitada, começara a enviava-me umas a seguir às outras, com deliciosos comentários sádicos, sem sequer pensar que eu as conhecia melhor do que ninguém!
Sucedeu, no entanto, que devido a um qualquer descuido da minha parte ela veio a descobrir aquilo de que já suspeitava: que o autor era eu... Mas possivelmente já o sabia, pelo que, longe de se zangar, me disse que achava isso muito interessante.
*
O tempo ia-se passando, e com frequência eu via-a (umas vezes de carro, outras a pé), mas hesitava sempre em a abordar pois receava as consequências que podiam daí advir. Contudo, como também não me decidia a desaparecer de vez, aquele relacionamento arrastava-se sem fim à vista, cimentado pelo interesse comum que nos unia em torno do S> Um dia, na sequência de uma conversa perturbadora, senti que alguma coisa se alterava entre nós.
Foi assim:
Tínhamos combinado um pequeno jogo a que dávamos muita importância: tratava-se de responder SEMPRE, com verdade e sem subterfúgios, àquilo que o outro perguntasse, por mais embaraçoso que fosse. E para que esse "jogo da verdade" fosse mais interessante, cada um de nós só podia colocar uma dessas questões por dia.

— Está na hora da minha pergunta — Escreveu ela certa vez.

E, sem esperar mais, desfechou:

— Gostavas que eu te chicoteasse?

Eu já suspeitava que, mais cedo ou mais tarde, teríamos uma conversa desse género, e que essa pergunta iria surgir. Então, resolvi ser eu a embaraçá-la, dando-lhe uma resposta dúbia e inesperada:

— Só experimentando poderei saber... — E preparei-me para a próxima pergunta, mas que, segundo o nosso acordo, só viria no dia seguinte. Porém, em vez disso, veio uma ordem:
— Então vais poder experimentar. Basta que vás ter, dentro de 1 hora, a esta gruta que bem conheces — E juntava uma foto que eu mesmo tinha tirado!

Eu não precisava de tanto tempo para ir até lá, e ela muito menos. Por isso, sentei-me, preparei uma bebida e pensei se valeria mesmo a pena meter-me onde me estava a meter...
E ela, que nunca me vira, como iria reagir quando eu lhe aparecesse à frente?
Inversamente, eu já a tinha visto muitas vezes, sem que ela se apercebesse. E em termos eróticos (pois era isso que agora estava em causa) ela estava longe de ser o meu género. E então ela queria chicotear-me?! Que coisa!
Mas o certo é que tinha chegado a um ponto em que já não podia recuar... e lá fui!
*
A gruta onde seria o nosso encontro fica longe das escadas e o acesso não é fácil. Mas essa mesma dificuldade era uma boa garantia de que estaríamos sós, podendo ver, também, facilmente, se alguém se aproximava; mas o Verão acabara há muito e não havia ninguém à vista.
À medida que ia andando, eu cada vez pensava mais que me estava a meter em sarilhos... mas continuei, e em breve chegava ao local combinado.
Porém, Irene não se via. Aliás, nem ela nem ninguém...
Ora, um pouco para o interior da gruta, havia (e ainda há) uma pedra baixa, semi-enterrada na areia, que mais parece um banco. Reparei então que, em cima dela, e portanto bem à vista, estava uma folha de papel dobrada, com um pequeno chicote em cima e um capuz negro ao lado!
Obviamente, peguei na folha e li:
"Olá, verme, bem-vindo ao local que pode mudar a tua vida para sempre. O chicote que reservo para ti é este, mas ainda estás a tempo de te arrepender. No sítio onde estou, tu não me vês, mas eu vejo-te. Vejo-te a abrir este papel, ver-te-ei a lê-lo, e ver-te-ei hesitar. Vais certamente olhar para o chicote, e vais imaginar como será se (ou quando?) estiveres a ser retalhado pelas minhas mãos... e vais pensar se vale a pena, pois estarás encapuzado e não me verás. Mas, repito, ainda estás a tempo de te ires embora. De contrário, despe-te. Todo. Depois coloca o capuz, deita-te de barriga para baixo nesta mesma pedra e espera. Estarei a ver-te e prometo que não terás de esperar muito".
Mil pensamentos contraditórios me passaram pela mente quando peguei no chicote. Era negro, com cerca de 50 cm de comprimento e tinha 9 pontas; mas não tinha nós e pareceu-me perfeitamente suportável.
Então, e sabendo que ela me estava a observar (escondida por detrás de alguma das rochas que por ali havia), comecei a despir-me devagar, à boca da gruta, mas de costas para o exterior. Em seguida, coloquei o capuz, deitei-me de borco na pedra e esperei.
Alguns minutos depois, ouvi passos a chapinhar na água e a areia a ranger.
Irene estava mesmo ao pé de mim, mas em silêncio!
De súbito, e sem que nada o fizesse prever nem anunciar, senti a primeira chicotada. Foi nos rins. Não foi forte, e não doeu muito.
Mas a segunda (nas coxas) já não foi assim... Então, e sempre sem ouvir uma palavra dela, levei uma longa surra que, a partir de certa altura, se tornou verdadeiramente dolorosa.
Eu fazia esforços para não gemer, mas a certa altura não resisti e pedi piedade. Foi uma verdadeira palavra mágica, pois ela parou e fiquei à espera do que se iria seguir.
E sabem o que então sucedeu?
.
(Continua)



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