"Os mais excitantes contos eróticos"


RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA


autor: Rosário
publicado em: 26/03/17
categoria: bdsm
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(...) E FORAM essas bofetadas, dadas aos pares, que remeteram o meu espírito para os tempos da verdadeira escola quando, muitos anos antes, D. Beatriz mas aplicava, também dessa forma.
Eu era bom aluno, pelo que sempre estive isento dos grandes castigos corporais que nessa altura eram oficiais e incentivados - quer pelo Ministério da Educação, quer pelos próprios pais das crianças.
Havia uma certa uniformidade nisso: todas as escolas tinham, como elemento pedagógico, uma robusta régua standardizada de dois palmos de comprido, que no meu tempo já substituíra a palmatória, também conhecida por menina-de-olhos. E cabe aqui um pequeno parêntesis para explicar que esses olhos eram os furos que tinha, para não permitir que, entre ela e a mão, se criasse uma almofada de ar...
Ora (e vá lá saber-se porquê!) as reguadas eram sempre dadas em múltiplos de seis, e em geral nas palmas das mãos. E escrevo em geral, porque havia excepções: era importante que o aluno sofresse, pelo que se esperava que, nos casos mais graves, chorasse sem fingimento e suplicasse piedade de forma convincente.
Mas havia alguns de nós (os mais velhos, os mais robustos ou simplesmente mais habituados a levar pancada - em casa deles haveria do mesmo ou ainda pior!) para os quais D. Beatriz tinha de recorrer a uma solução simples e eficaz: consistia ela em lhes bater nas costas das mãos, e não nas palmas. E ainda me lembro de a ver rir, nervosa, quando um desses valentões (que havia suportado antes, sem um gemido, uma infinidade de reguadas) ficava branco de medo, ao ver que ela lhe virava a mão ao contrário!
D. Beatriz, nessas ocasiões (como noutras), não batia logo. Fazia uma pausa e parecia tomar fôlego, sem largar a mão do rapazinho, já virada com a palma para baixo.
Em seguida, com fúria redobrada e fazendo acompanhar os golpes com expressões como «Toma! Toma para aprenderes!», vergava o valentão até que ele lhe caía aos pés, torcendo-se com dores!
Sucedia, por vezes, que eles conseguiam libertar a mão. D. Beatriz, então, dizia-lhes invariavelmente: «Dá cá a pata, senão ainda é pior!». Mas não esperava pela resposta e desatava a bater-lhes nos rins.
Também acontecia que a régua não estivesse disponível – ou porque tivesse sido emprestada a outra professora ou porque se tivesse quebrado. Ela, então, usava uma escova que, nas suas mãos, não era menos eficaz do que a régua. Ora essa escova não tinha péga, pelo que era frequente soltar-se-lhe da mão, indo cair algures no soalho da sala. Nessas alturas, ela mandava o aluno apanhá-la e trazer-lha, continuando depois a surra interrompida.
*
A juntar a tudo isso (que já não era pouco), havia ainda o terrível gabinete. Tratava-se de uma pequena divisão, ao lado da sala de aula, onde a professora guardava as suas coisas. Tinha uma secretária, uma cadeira, um armário, um cabide e pouco mais.
E porque falo aqui dessa salinha? Pelo seguinte:
Os castigos corporais que atrás referi eram públicos. Ou antes: eram dados na presença da classe toda e, sendo uma prática legal e generalizada, não eram segredo para ninguém. Mas, mesmo assim, havia o testemunho dos alunos todos que, em certos casos (lesões graves, por exemplo), poderia trazer problemas para a professora. E era então (quando o castigo exigia que não houvesse testemunhas) que o gabinete era utilizado.
Lembro-me de que, na classe inteira, só dois miúdos costumavam ser lá levados. Eram os mais velhos e robustos, para quem a régua já nada significava. Nessa altura, até fazia pena vê-los quando D. Beatriz, depois de os fazer pôr de pé, dizia as três palavras terríveis: «Vamos ao gabinete!».
Não sei o que iria na cabeça dela, mas imagino bem o que ia na deles! Esses valentões, que batiam nos outros todos (na rua e no recreio) e se gabavam da sua coragem e força, começavam por tremer. Depois, suplicavam... Alguns agarravam-se à carteira, dando a entender que teriam de serdali arrancados e levados.
Lembro-me de uma vez em que D. Beatriz não teve forças e não insistiu. O rapazinho sentou-se e olhou para os colegas, aliviado e rindo-se da impotência da mestra. Naturalmente, não sabia com quem lidava! Ela limitou-se a tocar uma campainha, chamando a contínua, uma tal D. Amélia.
Ora D. Amélia era uma robusta mulher, já com muitos anos de trabalho, não só ali como noutras escolas. E não foi preciso explicar nada – nem a ela, nem ao rapazinho rebelde. Bastou um aceno da professora... E o que seguiu foi inesquecível:
Rindo-se, a empregada pegou no miúdo por um braço como se fosse um boneco e levou-o, com os pés a arrastar pelo chão, para fora da sala. E até metia dó ver o valentão a tremer, a chorar, a implorar - ora dirigindo-se à D. Amélia, ora à D. Beatriz que os seguia, um pouco atrás. Não era primeira vez que ele era levado ao gabinete, pelo que não tinha dúvidas acerca do que o esperava.
E então, depois de deixar o miúdo entregue aos “cuidados” da professora, D. Amélia veio tomar conta de nós, avisando:
— Portem-se bem, meninos, se não querem ir fazer companhia ao vosso colega!
E, dizendo isso, fechou a porta da sala e abriu as janelas que davam para a rua, para deixar entrar amplamente o ruído do trânsito. Ela bem sabia que não era muito conveniente que ouvíssemos o que se iria passar mesmo ali ao lado, e fazia isso para o evitar. Mas alguns de nós, os que estavam mais perto da porta, escutaram tudo.
No entanto, a maioria nunca soube ao certo o que se passava nesse gabinete, pois os dois que D. Beatriz costumava lá levar nunca o contaram - pelo menos que eu ouvisse. Mas era fácil de imaginar, pela cara que eles traziam de regresso à sala: olhos vermelhos, nariz a pingar... Eenfiavam-se nas carteiras, fazendo-se pequeninos, engolindo os soluços e escondendo a cara entre os braços, cruzados em cima dos tampos das carteiras.
Um dia, pareceu-me ver que um deles vinha a apertar as calças. Não fui só eu que notei. Uns diziam que ele se tinha borrado todo e que tinha ido limpar-se à casa de banho. Outros disseram que a professora costumava baixar-lhes as calças para os sovar. Nunca o soube ao certo.
*
Nessa época, já não se praticavam muito alguns castigos de outro tipo. Coisas como as orelhas-de-burro, o ficar de joelhos na frente da turma ou virado para a parede tinham caído em desuso - pelo menos, nas escolas da cidade, pois ainda ouvi histórias que relatavam essas práticas na província. A ideia era punir o aluno humilhando-o. Isso não deixava marcas no corpo, mas deixava-as na memória: a dor das reguadas passava pouco depois de aplicadas, mas uma humilhação ficava para toda a vida.
Havia ainda a posição de ficar de braços abertos (uma verdadeira tortura, parecendo que não) e a de ajoelhar em cima de qualquer coisa dura, como um ponteiro, uma régua ou até (como ouvi contar) grãos de milho! Estas duas punições eram uma mistura de humilhação e tortura, pelo que eram muito eficazes. O aluno era deixado assim, enquanto a aula prosseguia, mas a professora interrompia-se, de vez em quando, para ir ver se os braços estavam caídos, ou se os joelhos se tinham desviado. E ai do miúdo, se isso sucedia!
*
Como em todos os estabelecimentos de ensino, havia também estagiárias. E lembro-me bem de duas (Lurdes e Cecília), que apareceram em simultâneo no meu último ano de escola. Eu, como muitos outros, estávamos a despertar para a sexualidade, e todos nos apaixonámos pela mais velha, uma morena muito bonita e de rabo-de-cavalo.
Quando chegava a altura de algum de nós apanhar (e isso sucedia todos os dias e várias vezes!), havia os que comentavam que era pena que as reguadas não fossem dadas por ela! Mas não eram, nem nunca o foram – nunca se percebeu porquê. No entanto, essas estagiárias estavam ali para aprender tudo o que se relacionasse com o ensino, e bater nos alunos era tão corriqueiro como ensinar a tabuada... e elas também tinham de aprender essa arte.
E então as duas observavam, apenas... E posso garantir que, apesar de não nos baterem, a situação era perturbadora. Elas ficavam a saber porque é que um determinado aluno levava 12 reguadas e não 6; aprendiam como é que segurava nas nossas mãos; decoravam as respostas que se devia dar aos miúdos quando eles suplicavam perdão ou imploravam para parar...
Como atrás disse, eu era bom aluno e sempre fui poupado a isso. Um dia, esse facto chamou a atenção da menina Cecília, que me surpreendeu a brincar com o lápis em vez de estar com atenção à aula. Aproximou-se de mim, e tocou-me com a mão na face, ao de leve. Assustei-me, mas ela, com um sorriso, sossegou-me. Em seguida, fez-me outra festa e disse, baixinho:
— Se eu fosse a D. Beatriz já tinhas a cara vermelha... Tens sorte, pequeno...
.
In O Livro Secreto de Domme Liz – Parte II.
Continua com o título A Caixa Vermelha, um conto à parte, do mesmo autor.




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