"Os mais excitantes contos eróticos"


UMA MISSÃO MUITO ESPECIAL


autor: Rosário
publicado em: 26/03/17
categoria: bdsm
leituras: 1035
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Fonte: maior > menor



PARTE 1
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COMO noutro lado já contei, eu fui perdendo, a pouco e pouco, a minha principal fonte de rendimento, que consistia em artigos de carácter técnico que escrevia para jornais e revistas. De entre todos, destacava-se o (...), que me atribuía meia página do seu suplemento de sábado, e que me pagava bem e sem atrasos.
Naturalmente, eu tinha lá muitos conhecimentos, que tentei reatar assim que pude, mas sem êxito — o meu lugar já estava ocupado, e não tinham faltado candidatos para me substituir, como sempre acontecera em muitas outras ocasiões da minha vida...
Mas foi precisamente lá que nasceu a aventura que seguidamente passo a contar.
*
Em Agosto do ano (...), e pouco antes do 1.º Aniversário da revolução que depôs a ditadura de (...), a Direcção do jornal recebeu um convite do novo governo para que enviasse um jornalista a fim de fazer a cobertura dos festejos e comemorações oficiais. Tudo pago, é claro (viagens e estadia), subentendendo-se que desse trabalho sairia qualquer coisa que se assemelhasse a propaganda política. Não seria difícil, pois o convite partira de alguém bem informado acerca das tendências do jornal.
Ora, devido ao período de férias (estava-se em Agosto, como atrás disse), não havia ninguém para lá mandar e — adivinharam! — o convite veio parar-me às mãos, pois, apesar de a minha especialidade não ser a política, eu escrevia bem, e tinha alguma afinidade ideológica com o novo regime.
*
Vou poupar os leitores aos pormenores da viagem, das peripécias da Alfândega, das aventuras com o taxista do aeroporto, da minha instalação e de toda a burocracia que tive de vencer — e salto directamente para a recepção oficial (com beberete e discursos...) onde me apresentei, envergando um traje suficientemente desajustado às circunstâncias para ser objecto de risos mal contidos por parte de alguns dos presentes.
E foi assim que me encostei a um canto, por detrás de uma frondosa palmeira-anã, com um sumo de laranja na mão, procurando passar despercebido enquanto se preparava um pequeno palco onde iriam ser proferidas as tão inevitáveis quanto enfadonhas alocuções oficiais.
Sim, era preciso passar por essa provação... e tomar as necessárias notas.
E foi nessa altura, quando peguei no meu bloco de apontamentos, que me apercebi daquilo que pior pode suceder a um repórter: a esferográfica estava sem tinta, e o minigravador sem pilhas!
Nessa época, ainda não havia nenhuma das tecnologias que hoje nos são familiares, pelo que dei por mim a olhar em volta, qual náufrago em busca de uma tábua, vendo quem me podia acudir.
Ora, à minha esquerda, estava uma senhora fardada, aparentemente oficial das Forças Armadas que, vendo a minha atrapalhação, me perguntou em que me poderia ajudar.
Depois, rindo-se do meu problema, informou-me que não me preocupasse a tomar apontamentos, pois o seu Serviço fornecer-me-ia (e em várias línguas!) todos os dados devidamente “cozinhados”.
«Que sina a minha!, já cá faltava gente a querer interferir no que eu escrevo!» — pensei, irritado. Mas agradeci, claro, e deixei-me ficar por ali, continuando a tentar passar despercebido.
Terminados os discursos oficiais, passámos ao cocktail.
— O programa da estadia prevê várias opções — informou-me a mesma senhora, aproximando-se de mim —. Depende dos interesses dos diversos órgãos de informação. Se o senhor está interessado numa visita à nova fábrica de electrónica, junte-se àquelas pessoas ali ao fundo. Se prefere uma visita à cidade, vá ali para a esquerda. Se prefere qualquer coisa mais política... deixe-se ficar perto de mim.
Não entendi o que seria isso de “coisa mais política”, mas ela virou-se, para atender outros jornalistas, e eu fiquei na ignorância. Mas como aquilo que o meu jornal queria era precisamente qualquer coisa de política, resolvi aceitar o convite para integrar o grupo da minha anfitriã cujo nome continuava a ignorar – não me parecendo de bom-tom perguntar-lho, já que ela mesma não se apresentara.
*
Ao fim de algum tempo, os presentes começaram a sair, em grupos, conforme os destinos; e eu notei, admirado, que era o único que ali ficava com a senhora!
— Não se admire — comentou ela, rindo —, é sempre assim. Essas pessoas querem é ir às compras! Os cicerones sabem disso, e recebem uma comissão dos lojistas. Não há muita gente interessada em visitar o CIE.
E disse isso com toda a naturalidade, como se eu tivesse a obrigação de saber o que era o CIE!
Mas resolvi não mostrar a minha ignorância e acompanhar a cicerone.
Pouco depois, estávamos num jipe, e rodávamos em alta velocidade pelas ruas e avenidas com a sirene ligada!
«Para quê?» — interroguei-me eu — «Qual será a pressa?»
Percebi, rapidamente, que não havia pressa nenhuma! Ela apenas sentia prazer ao ver os condutores desviarem-se, temerosos da viatura oficial, e até os polícias de trânsito mandavam parar os outros carros, dando-nos prioridade e fazendo-lhe a saudação militar!
Eu estava já bem familiarizado com mulheres dominadoras, e aquela usava a sua função para isso. O quépi, a juntar à farda, à saia justa e às botas em cabedal negro davam o tom.
«Óptimo» — pensei eu — «Um pouco de erotismo torna tudo mais interessante! Só é pena que ela não seja nenhuma beldade... Mas não se pode ter tudo!».
A viagem não foi longa, mas foi o suficiente para eu reparar que ela “não era nada para se deitar fora” — como se diz em linguagem machista.
Com a trepidação do jipe (pois as estradas estavam uma miséria!), a saia subia-lhe um pouco, o suficiente para mostrar umas pernas bem torneadas e carnudas como eu gosto; e ela não fazia nada para as tapar.
Senti, instintivamente, que ela me provocava; mas eu estava numa cidade estrangeira, de certa forma ela era uma autoridade, e eu não sabia como proceder. O melhor seria, pois, estar quieto e calado. Se houvesse lugar a “algo mais”, ela mesma tomaria a iniciativa.
Ora, uma vez saídos da cidade, entrámos num caminho de terra batida que penetrava num pequeno bosque. Não muito denso, mas o suficiente para que, da estrada, não se visse o que eu ali tinha na frente:
Uma grande vedação de arame-farpado, com sinais evidentes de ter sido electrificada, e um estranho edifício cinzento-escuro, pouco mais à frente.
Claro que havia ali um portão — um enorme portão de ferro, fechado com um cadeado, ostentando um letreiro com as iniciais CIE!
— Chegámos — disse ela, abrindo o porta-luvas e dando-me uma chave para a mão — Vá abrir o portão.
Senti um agradável arrepio ao receber a ordem, e o habitual prazer em obedecer. Mas imagine-se a minha cara quando, ao aproximar-me da placa, vi, em caracteres pequenos e por extenso, o significado das três letras!
CIE
CENTRO DE INTERNAMENTO ESPECIAL
— Não se assuste, caro amigo! Isto já não funciona. De qualquer forma, seja bem-vindo ao Inferno!
*
Não era preciso ser bruxo para adivinhar onde estávamos; o “internamento” não era para doentes, mas sim para presos políticos, e era evidente que aquilo que estava por detrás daquelas paredes de betão não seria muito agradável de ver. Mas eu estava ali para isso mesmo, e limitei-me a esperar, pois toda a iniciativa estava do lado da minha cicerone.
Ela arrumou o jipe por baixo de uma árvore, saltou agilmente para o empedrado e fez-me sinal para voltar a fechar o portão.
Depois, sem palavras desnecessárias, encaminhou-se para a porta principal, que abriu. Entrou à minha frente e acendeu as luzes.
Só então reparei que o edifício não tinha janelas, o que lhe dava um ar de bunker, tão impenetrável quanto sinistro, numa situação agravada pelo bruxulear das lâmpadas, que ora acendiam ora apagavam.
Tudo aquilo tinha um ar de abando (embora não muito antigo), e arrepiei-me ao imaginar-me na pele dos antigos presos políticos ao chegarem ali.
Não nos demorámos no hall de entrada. À direita, uma porta apainelada deu-nos passagem para um gabinete com uma placa de cobre dizendo DIRECÇÃO — e entrámos.
Como era de esperar, o ambiente era sóbrio (mas não totalmente desconfortável), tendo aquilo que seria de esperar de um gabinete desses — à parte as janelas que, como atrás disse, eram inexistentes:
Uma enorme secretária de pau preto (com os inevitáveis torneados e latões), um tapete persa que já vira melhores dias, um grande armário envidraçado exibindo livros e arquivos diversos, algumas bandeiras, um enorme mapa do país, um par de sofás de couro negro, um cabide, um cesto de papéis, e pouco mais.
A minha anfitriã sentou-se à secretária com total à-vontade, e apontou-me para o sofá à sua esquerda. Seitei-me e aguardei.
— Então aqui estamos nós, meu caro senhor, prontos a começar a visita. Deve estranhar o facto de eu ainda não me ter apresentado. Chegou a hora de o fazer, e peço-lhe antecipadamente que não estranhe o meu nome. Não é o verdadeiro, como compreenderá, mas foi escolhido em atenção a si.
Fez uma pausa para aquilatar o efeito das suas palavras e, vendo a minha expectativa, sorriu e disse, baixinho:
— Chame-me Olga. É um pseudónimo, mas sei que é um nome ao seu gosto.
Por momentos saboreou a minha surpresa, e depois prosseguiu, consultando uns papéis:
— Não estranhe o facto de sabermos algumas coisas a seu respeito. Na realidade, sabemos até mais do que o necessário, mas compreende que não podíamos trazer aqui um jornalista sem nos assegurarmos, previamente, de algumas coisas.
— Presumo que tenham entrado no meu computador... — aventei, só para ver como ela reagiria.
— Não está à espera, certamente, que eu confirme uma vilania dessas! — respondeu, com um sorriso enigmático. — Mas vamos ao que aqui nos trouxe. Isto não é muito grande, e você vai visitar quase tudo: o refeitório, as celas, o recreio, a biblioteca, os sanitários...
— Você falou em “quase” tudo. O que falta aí para o “quase”?
— Antes de mais, desculpe-me interrompê-lo. Lá fora, pode tratar-me como quiser, mas aqui dentro não me trate por “você”. Pode ser por “Senhora Directora”.
Fiquei de boca aberta!
— É Directora disto? O Centro vai reabrir? — perguntei, perplexo.
— Cada coisa a seu tempo. Agradeço-lhe que não faça perguntas sem eu lhe dizer para as fazer. Eu tenho as respostas para tudo o que possa querer perguntar. Aliás, estão aqui.
E, dizendo isso, deu-me para as mãos uma pequena brochura que eu folheei rapidamente.
— Vê isso depois, com tempo, no hotel. Agora vamos ao que interessa.
Levantou-se e, conduzindo-me para fora do gabinete, começou a mostrar-me aquilo que tinha referido.
Tudo era pequeno; em pleno funcionamento, não devia haver ali mais do que umas 15 ou 20 pessoas, entre pessoal do Centro e presos.
Entretanto, houve uma coisa que me arrepiou: em diversos pontos, nomeadamente no chão e em algumas paredes, viam-se manchas de sangue! E acho que foi nessa altura que comecei a arrepender-me de ali estar. Mas não havia retorno, e disfarcei a minha perturbação o melhor que pude.
Por fim, de volta ao hall de entrada, reparei na existência de um elevador que me passara despercebido. Aproximei-me da respectiva porta e vi um mostrador que revelava a existência de três pisos abaixo daquele onde estávamos.
Olga viu o meu interesse e apressou-se a esclarecer:
— Duvido que valha a pena visitar o “Piso -1”. É apenas a garagem. E o “Piso -2 são arrecadações.
Ficava, obviamente, por explicar o que seria o “Piso -3”...
— Bem... O “Piso -3” está relacionado com o tal “quase”; é a parte mais delicada deste estabelecimento. Posso mostrar-lho, é claro, mas vejo que você está pálido e não se encontra em condições de visitar essa zona, que era a dos interrogatórios especiais. É melhor ficar para outro dia.
— Mas vai haver “outro dia”? – perguntei eu, perplexo. Não pode ser já, e despacharmos isso de uma vez por todas?
— Meu caro senhor, esta visita não é para “despachar”, como diz. Você veio do seu país — de tão longe — com uma finalidade política bem concreta. Você não é burro, e já percebeu que foi envolvido numa acção de propaganda, de que eu sou a responsável. A sua função será mostrar aos leitores do seu jornal os horrores do regime deposto, e fazer o elogio do actual. É por isso que tem tudo pago — viagens, hotel e refeições. Nem sequer terá de pensar, pois o que irá publicar está já nessa brochura.
— Mas, minha cara senhora, eu sou jornalista, e não trabalho assim!
— Ah não? Então diga lá o que pretende fazer.
— Ora, como é que há-de ser?! Vejo tudo, tomo os meus apontamentos, memorizo... e depois escrevo.
— E conta escrever o que lhe apetecer?
— Sim, faz parte da minha profissão.
— Pois então vai ter de fazer uma excepção neste caso.
A conversa estava a azedar-se, pois se há coisa que eu, em absoluto, NÃO TOLERO é que me digam o que hei-de (ou não posso) escrever — quanto mais, vindo essa imposição de uma domme-da-treta!
Era evidente, no entanto, que estava em causa qualquer coisa de muito sério. Ela não era propriamente uma domme-da-treta; eu estava longe do meu país, e começava a suspeitar que os tiques autoritários do regime deposto tinham transitado, integralmente, para o novo.
E no meu espírito começou a germinar uma suspeita: teria a agente Olga sido funcionária da ditadura anterior?
Teria ela, inclusivamente, trabalhado ali, naquela sinistra prisão, onde as manchas de sangue eram por demais eloquentes?
Uma coisa parecia certa: mais cedo ou mais tarde, tudo aquilo iria voltar a funcionar, e a “Senhora Directora” já estava nomeada... e era aquela ali na minha frente!
Voltámos a entrar no gabinete, mas desta vez ela sentou-se no sofá à minha frente — e não à secretaria — pelo que, pela primeira vez, pude vê-la bem.
Era uma mulher madura, na casa dos 50 anos, mas ainda razoavelmente bem conservada. Devia ter sido muito bonita na juventude, e era muito perturbador imaginá-la a dirigir uma prisão onde a totalidade dos detidos (como vim a saber) eram homens.
— Meu caro senhor Rosário... — começou ela, fazendo uma pausa quando me viu empalidecer.
— Sim, não me enganei. Já tive ocasião de lhe dizer que sabemos tudo acerca de si. Se não tudo, pelo menos o essencial. Sabemos o seu nome, morada, data e local de nascimento, preferências literárias, gastronómicas, sexuais...
Novamente se interrompeu, para tentar descortinar o efeito das suas palavras, e pouco depois prosseguiu:
— Não fomos nós que o escolhemos para cá vir; foi a Direcção do seu jornal. Mas nós já sabíamos que não tinham outras opções. Além disso, há já algum tempo que acompanhávamos a sua actividade (literária e erótica...), e pareceu-nos que era a pessoa indicada para vir fazer uma boa reportagem a um local onde mulheres experientes “cuidavam” de homens.
Sorri ao ouvir a palavra “cuidavam”, e isso não lhe escapou.
Sorriu também, e não deixou cair o tema.
— Sim, claro. Elas “cuidavam” dos presos por forma a obter as necessárias confissões. Isso era feito lá em baixo, como já percebeu. Não pense que era tão divertido como escreve nos seus livros sadomasoquistas. As interrogadoras não estavam aqui para terem prazer, nem os homens se excitavam quando eram torturados por elas. No “Piso -3” não havia aquilo a que se chama consensualidade...
— Mesmo assim, a situação não deixa de ser perturbante — comentei.
— Sim, claro. Aqui realizava-se, na REALIDADE, o que muitos como você praticam, lá fora, em FANTASIA.
Interrompeu-se, e deu-me para a mão uma cassete de vídeo.
— Esta noite veja isto no hotel, e depois devolva-me. É uma gravação de um interrogatório de um preso feito por uma agente especializada em confissões “difíceis”, e verá que tem muito pouco de erótico. As imagens só o mostram a ele, mas ouvem-se as vozes de ambos. O interrogatório durou muito tempo, e o vídeo é apenas um resumo. Mostra o início, com ele arrogante, e depois vê-se a evolução toda, até à quebra e à confissão final. Ele desmaiou por várias vezes, mas essas partes não se vêem.
— E o que aconteceu a essa torcionária? Foi fuzilada, como fizeram em Cuba? — perguntei eu, perturbado.
— A maioria fugiu do país, e as que ficaram foram presas. Mas não sejamos ingénuos. Todos os governos precisam de se proteger, e mesmo os mais puros acabam por ter a sua polícia política, e os métodos são universais.
— E aqui vai suceder o mesmo, pelo que estou a perceber. E até já têm Directora...
— Vê, como fizemos bem em escolhê-lo? Você não é burro de todo, pois não? — Respondeu ela, não reprimindo uma gargalhada.
— E nesses tempos a senhora trabalhava aqui, suponho...
— E supõe muito bem! Já agora, não resisto à vaidade de lhe confessar uma coisa: essa gravação que leva aí foi a minha prova de exame para a promoção a Agente de 1ª Classe. A classificação podia ter sido melhor se eu tivesse conseguido a confissão em menos tempo. E eu não teria qualquer dificuldade nisso! Eu, se quisesse, obtinha confissões em menos de um minuto, e às vezes bastava aos presos saberem que era eu a interrogá-los para não ser preciso fazer-lhes nada. Mas nesse dia do exame calhou eu estar muito nervosa, e as coisas, de início, não estavam a correr-me bem. Quando chegou a altura de aplicar os choques eléctricos, os fios estavam mal ligados... E coisas assim.
Eu ia ouvindo essa conversa toda e começava a estar muito perturbado. Ela decerto o notou, pois cruzou as pernas por forma a atrair o meu olhar; e prosseguiu:
— Como vai ver pelo filme, eu comecei a ficar muito nervosa, mas também excitada. Acabei por ter um orgasmo quando, depois de calçar as luvas de látex, me preparava para lhe torcer os testículos; e foi nesse seguimento que ele teve o primeiro desmaio, pois eu não era muito meiga quando aplicava essa tortura. Esse desfalecimento começou por ser mau para a minha classificação, pois uma das recomendações implicam manter o preso sempre bem consciente. Mas quando eu expliquei à professora o que se passara, ela mostrou-se muito satisfeita. E tinha razão. Uma interrogadora tem de ter uma boa dose de sadismo para obter bons resultados, e isso implica prazer sexual. E eu, em geral, tinha.
Reparei, então, que a voz dela se estava a alterar. A recordação desses “velhos tempos” estava a excitá-la, e eu não pude deixar de imaginar o que seria estar nas suas mãos numa situação como a que ela descrevia.
— Então ainda quer ir ao “Piso -3”? — perguntou ela, inutilmente.
Não foi preciso responder, e em breve estávamos no elevador, mas esperava-me uma estranha surpresa:
Depois de fechar as portas, e no momento em que se preparava para premir o botão respectivo, suspendeu o acto e olhou para mim, pensativa.
Em seguida, bruscamente, voltou a abrir as portas e saiu, levando-me atrás de si!
— Pensei melhor, e acho que ainda é cedo. Você não está psicologicamente preparado.
— Porque diz isso?! — retorqui ¬— O que me contou está perfeitamente de acordo com o que eu imaginava que se passava aqui. Como há pouco me disse, estas coisas são universais. A única novidade é o facto de haver alguns interrogatórios que eram feitos por mulheres.
— Vejo que você ainda não percebeu! Não era “alguns”, era todos. TODOS os interrogatórios, aqui, eram feitos por mulheres. Todos! Essas torcionárias eram escolhidas a dedo e seleccionadas pessoalmente por mim. Vinham, em geral, dos meios sadomasoquistas profissionais, a maioria delas eram dominatrix com experiência. Eu mostrava-lhes vídeos de interrogatórios e perguntava-lhes se eram capazes de fazer aquilo. Todas diziam que sim, e até muito pior. Às vezes, eu arranjava forma de as entrevistas coincidirem com interrogatórios reais, e levava-as a assistir. Além de um moderno circuito de vídeo (que permite ver aqui tudo o que lá se passa), a sala tem o habitual vidro espelhado — pode ver-se de fora para dentro, mas não de dentro para fora. Enquanto uma das agentes interrogava o preso, eu observava as reacções das candidatas... e nenhuma me desiludiu.
Esta fase da conversa já decorria no hall de entrada. Ela fechara à chave o Gabinete e encaminhava-se para a saída do edifício, levando-me consigo.
A visita tinha, pois, terminado! E havia eu vindo de tão longe, e realizado tantas despesas para, no fim, ficar por ver a parte mais interessante (se bem que mais perturbadora) daquilo?!
Olga pareceu ler-me o pensamento e, quando já íamos de regresso à cidade, encostou o jipe na berma da estrada e virou-se para mim.
Ao fazê-lo, a saia subiu ainda mais do que dantes, e ela sorriu ao ver o meu olhar atrevido.
— Um dia, eu hei-de contar-lhe o que fazia aos que me olhavam assim. Mas agora vamos falar de outras coisas.
Com alguma vergonha, desviei os olhos das coxas expostas e preparei-me para ouvir o que ela tinha para me dizer.
— Eu não invejo a sua situação, sabe? — começou — Você pode ter problemas, quer com o que vier a escrever, quer com o que omitir. Os partidários do governo deposto ainda estão muito activos, e não vão apreciar o que você vai escrever para os denegrir. Inversamente, se você não o fizer, vai ter problemas connosco.
— Quando o meu artigo sair espero estar bem longe daqui, Agente Olga!
Ela riu-se.
— Já marcou o voo de regresso? E já tem o visto no passaporte?
Foi nessa altura que me lembrei de uma coisa terrível: ela pedira o meu passaporte para o ver e, conseguindo distrair-me com qualquer coisa de que já não me lembro, guardara-o...
— Não é divertido estar nas minhas mãos, Sr. Rosário? Não é essa a fantasia que descreve nos seus livros como sendo a mais deliciosa de todas? Então saboreie-a bem, pois é isso que acontece. Você só vai regressar ao seu país quando eu deixar, mas também depende de si que isso demore mais ou menos.
Voltou a pôr o jipe em andamento, como se já estivesse tudo dito, mas não estava.
— Bem... Concordo que a situação é perturbadora — respondi — O que preciso, então, de fazer?
— Pouca coisa. Esta noite vai ler o texto que lhe dei, vai ver a cassete, e — se preferir — pode reescrever tudo por palavras suas. Quando achar que a reportagem está pronta para enviar, ela vai ser revista pelo nosso Serviço. Depois de uma ou outra correcção que seja necessária, será mandada para o seu jornal, e nós faremos pressão para que seja publicada rapidamente e SEM QUAISQUER ALTERAÇÕES, por forma a podermos confirmar que está tudo bem. Nessa altura, eu mesma o levo ao aeroporto. Agrada-lhe o programa, Sr. Rosário?
Estávamos a chegar ao velho hotel onde eu estava hospedado quando lhe fiz a pergunta que se impunha:
— Quando eu tiver escrito a reportagem, como faço para lhe entregar?
Ela riu-se, quando respondeu:
— Está tudo pensado, meu caro. Você não vai ficar abandonado.
Eu já tinha descido do jipe, e ela arrancou em alta velocidade, deixando-me com mais dúvidas do que certezas.
Entrei então no hotel e fui tomar um banho de imersão, bem quente, e foi aí que eu li a brochura que ela me dera.
Depois de algumas considerações gerais — obviamente denegrindo o governo anterior e exaltando o novo —, a publicação dedicava algumas páginas aos métodos repressivos do passado, e o CIE aparecia, em seguida, como um exemplo das atrocidades atribuídas à ditadura deposta.
Não havia ali grandes novidades em relação a situações semelhantes existentes no mundo todo. Apenas saltavam à vista as omissões, e elas eram, quanto a mim, o mais importante:
Em lado nenhum se dizia que as torcionárias haviam sido um grupo seleccionado de sádicas profissionais, nem o que se havia passado com elas após a deposição da ditadura.
Muito menos se referia que o CIE estava em vias de ser reaberto (agora ao serviço da nova ideologia!), e que a suposta Agente Olga seria a nova Directora da instituição — porventura sucedendo a si mesma no cargo que ocupara tão eficientemente nos “velhos tempos”!
A redacção do texto estava boa, e decidi, até, enviá-lo mesmo assim, por telefax. O que poderia eu acrescentar ou retirar, sem incorrer na ira dos Serviços Secretos daquele país, de onde eu só queria sair o mais depressa possível?
Considerando resolvido esse problema, saí do banho, e estiquei-me na cama, envolvido num roupão turco, e resolvi-me a ver o vídeo.
Não foi fácil visioná-lo até ao fim, mas eu sabia que tinha de ser, e assim fiz. Tinha cerca de 20 minutos e era — como eu já sabia — um resumo de um interrogatório feito por Olga como prova de exame.
Ainda cheguei a pensar que aquilo fosse uma encenação com um voluntário (como sucede nos convincentes vídeos do Other World Kingdom), mas rapidamente confirmei que não.
A parte mais penosa de ver era a da tortura dos genitais: depois de calçar uma luvas de látex, com a mão esquerda ela começou por manipular o sexo do preso, acompanhando o acto com palavras obscenas e provocando-lhe uma erecção. Em seguida, e sem interromper isso, começava a brincar com os testículos, dando-lhes pequenos apertos e beliscões. Ouviam-se os risos dela, e palavras como «Gostas, queridinho?». A certa altura, quando nada o faria prever, ela dava um primeiro aperto provocando um gemido no preso. Em seguida, lentamente, começava a parte pior:
O preso devia confessar a autoria de um determinado texto subversivo, o que ele negava. A pouco e pouco, sem pressas, Olga ia torcendo, torcendo sempre — e os gritos que arrancava começaram a ser insuportáveis para os meus ouvidos, a ponto de ter de tirar o som da gravação.
Via-se o preso a desmaiar (o que não deveria suceder num interrogatório), mas o orgasmo de Olga, que ela me confessara ter ocorrido nessa altura, era apenas subentendido.
E foi nessa altura exacta que alguém bateu à porta do meu quarto...


PARTE 2
EU NÃO TINHA pedido nada para o serviço de quartos, nem esperava quaisquer visitas. Aliás, contava, em breve, descer para jantar, com uma breve passagem pelo decrépito bar do hotel.
Levantei-me, pois, apreensivo, e abri a porta cautelosamente, sem retirar a corrente de segurança.
Do lado de fora, no corredor, uma senhora magra, de óculos de aros e cabelos grisalhos, vestida muito modestamente, encarava-me com ar sisudo.
Apesar disso, o seu aspecto geral tranquilizou-me, pelo que abri a porta sem fazer perguntas, limitando-me a ajeitar o roupão, apertando melhor o cinto.
Ela entrou, com um à-vontade próprio de quem está em sua casa; dirigiu-se ao aparelho de TV (que eu me esquecera de desligar) e apagou-o, alheia ao meu embaraço devido às imagens que ainda ali passavam.
— Sente-se, Sr. Rosário — disse ela, como se a visita fosse eu! — Estou encarregada de o proteger, e pode tratar-me por Zélia. Claro que não é o meu nome verdadeiro, mas liga muito bem com Olga, não é verdade? Quem sabe se não nos aparecerá ainda uma menina Cremilde?
Mais uma vez eu era confrontado com alguém que tinha lido a minha «História de Olga» ou, pelo menos, sabia o nome das três personagens femininas. Porém, se ela estava à espera de me ver admirado, teve uma primeira decepção — e eu proporcionar-lhe-ia outras — pensei eu nesse momento.
— Proteger-me de quem e de quê? — questionei eu, embora já sabendo a resposta.
Ela apenas vinha vigiar-me, e não havia nada que eu pudesse fazer para o evitar.
— Posso convidá-la para jantar, ao menos? — perguntei, com um sorriso forçado, pois a vontade de ter aquela companhia não era muita.
— Pode e deve, e é isso que eu espero de si. Vista-se, então, e vamos.
A mulher era deveras autoritária e, tal como a suposta Olga, também mostrava estar habituada a ser obedecida. Lamentei apenas o facto de ela não ter qualquer erotismo, e resolvi ver como reagiria despindo-me na sua frente.
Não se perturbou — nem um pouco —, e foi até com um sorriso de troça que ela encarou essa minha provocação, olhando-me de alto a baixo.
Por fim, auxiliou-me até a vestir o casaco, e fez um certo ar maternal ao ajudar-me a escolher a camisa!
A situação de estar a ser vigiado e controlado — até no meu quarto, e quiçá no banho! — era tudo menos agradável, mas resolvi aceitar o jogo e armar-me em cavalheiro, indo ao ponto de segurar na cadeira dela quando se sentou à mesa do jantar.
Inesperadamente (ou talvez não...), esse meu pequeno gesto cavalheiresco desvaneceu-a, e a cara dura e impenetrável que mantivera até esse momento desapareceu como que por encanto!
Em seguida, o champanhe que mandei vir, embora de péssima qualidade, fez o resto.
— Você, ao menos, é bem pago lá no jornal? — perguntou-me ela, enquanto percorria a ementa com os olhos.
Expliquei-lhe, então, que eu não trabalhava para lá. A presente reportagem era apenas um biscate, uma coisa sem continuidade.
— Porque diz isso? Claro que pode ter continuidade! Há aqui muito que ver, muito que escrever...!
Interrompeu-se para me comunicar a escolha do prato de peixe, e eu acompanhei-a no seu pedido. Apesar de não ser a minha preferência, dizer «eu também escolho isso» é algo que cai sempre bem, pela proximidade que cria ou que sugere.
O apetite dela impressionou-me, o que me levou a concluir que há muito tempo não devia comer uma refeição decente.
A seguir, mandei vir suculentos bifes para ambos (os mais caros da lista), deliciado com o facto de ser o governo dela a pagar aquilo tudo.
Por fim, quando chegámos ao pudim e ao Porto, já ela estava completamente rendida aos meus encantos de cavalheiro e entrava nas confidências, ajudada pelo álcool a que manifestamente não estava habituada.
Vim então a saber um coisa espantosa:
Aquela senhora com aspecto frágil e idoso que eu tinha ali na minha frente fora, até há cerca de um ano, a Directora do CIE — tendo sido, portanto, chefe da suposta Olga!
— Veja só as ironias do destino!
Ela entrara, de facto, na fase das confidências!
— Eu, que fui durante tantos anos uma pessoa importante e temida, tive de fugir quando se deu a revolução. Depois, houve uma amnistia, precisaram de mim e foram-me buscar. Eu também sabia muitas coisas acerca de gente importante, e não faltava quem tivesse medo do que eu pudesse revelar. De qualquer forma, deixou de haver condições políticas para a existência do CIE. Aquilo fechou, e eu vi-me forçada a aceitar este emprego, mal pago, de vigilante de estrangeiros. E, pior ainda, essa idiota da Olga, que apreendeu tudo comigo, é agora minha superiora!
Tínhamos passado ao bar, onde a conversa continuava, e tornara-se claro o ódio dessa mulher pela outra. E isso poderia ser muito interessante se eu o soubesse explorar.
— Sabe que fui eu quem introduziu a prática dos interrogatórios dos homens feitos só por mulheres? Sim, meu caro. Tratava-se de usar a carga de ódio que muitas delas têm aos homens. E fui eu, também, quem introduziu os interrogatórios em duas fases. A Olga já lhe falou nisso?
Não. Não me contara nada; e eu pedi que me explicasse.
— Você certamente já ouviu falar na técnica do polícia bom / polícia mau, que se alternam nos interrogatórios. Eu adoptei isso, mas feito pela mesma mulher. O preso começa por ser convidado, simpaticamente, a colaborar. Depois de 15 minutos na sub-cave, já está disposto a muita coisa, e às primeiras perguntas até reage bem. Não lhe custa nada dizer o nome, a morada, a data e o local de nascimento, a profissão... A interrogadora então encoraja-o, mostra-se muito satisfeita, e estabelece-se um bom clima entre ambos, mesmo numa sala sinistra como a do “Piso -3”. Mas em geral chega-se a um impasse, quando as perguntas são mais sensíveis. A interrogadora mostra-se então pesarosa e manda-o recolher à cela. E é nessa altura que começa o pesadelo dele...
Notei um brilho nos olhos dela quando se preparou para contar essa parte:
— Nada é deixado ao acaso. Tudo o que se passa a seguir foi inventado por mim, e transformado em norma interna, respeitada durante mais de 20 anos; e sempre com sucesso. Quer saber?
— Claro — respondi —, tudo isso é muito interessante!
E a suposta Zélia prosseguiu:
— Nessa noite, não o deixávamos dormir. E o que usávamos para isso era uma gravação de um interrogatório de um preso que tinha sido torturado por mim. Quando o vídeo chegava ao fim, recomeçava do início, e o volume do som ia aumentando de cada vez. Às 8h da manhã chegavam duas agentes que o insultavam, esbofeteavam, despiam, algemavam e o levavam de novo à sala de interrogatórios. Peça à Olga que lhe mostre a sala... É como se vê nos filmes: Tem uma mesa no meio, com uma cadeira de cada lado, e um projector potente para encandear o preso. A cadeira dele é metálica, robusta, e está fixada ao chão.
Interrompeu-se e mandou vir mais um Porto. Era evidente que a conversa lhe agradava, pelo que quase me agradeceu quando lhe pedi para me contar mais pormenores.
— Bem... Você depois pode ver tudo. Peça à Olga para lhe mostrar. Mas a cadeira tinha de ser robusta e presa ao chão porque quando começavam os espancamentos tinha de ser assim mesmo. Ao princípio, eram de madeira, mas eu mandei mudar para outras metálicas por causa dos choques eléctricos.
Arrepiei-me, ao ouvir isso. Ela sorriu ao ver a minha cara e continuou:
— Torturar um homem não é a mesma coisa que torturar uma mulher, evidentemente. E não é só no aspecto da fisiologia que há diferenças. É também no aspecto psicológico. Você é um praticante do sadomasoquismo, e brinca com essas coisas, excita-se, tem os seus orgasmos... Mas é tudo a brincar, tudo moderado, tudo consensual e com palavras de segurança. Ali não havia nada disso, e se havia prazer era apenas da parte da interrogadora.
Fez uma pausa, olhou-me fixamente nos olhos e desfechou:
— Acha que haverá excepções?
— Refere-se a presos que tenham prazer sexual durante essas coisas? — perguntei, nervoso.
— Sim, claro, como nas histórias que você escreve. As suas personagens têm orgasmos no decurso das mais incríveis torturas... Será só mesmo fantasia literária, ou haverá mesmo gente assim?
— Não percebo porque me pergunta — respondi eu — Pelo que me diz, passaram pelas suas mãos, directa ou indirectamente, muitos indivíduos. Se alguns tiveram prazer, certamente que o soube!
— Não é bem assim. Nos últimos anos eu, como directora, já não fazia interrogatórios. E se havia alguns com contornos eróticos, as mulheres envolvidas não contavam isso a ninguém. E olhe bem para mim: acha que uma mulher como eu, sem beleza nenhuma, seria capaz de excitar alguém, ainda por cima preso?
Voltei a notar nela um estranho brilho nos olhos, e resolvi divertir-me um pouco à sua custa:
— Essas coisas não funcionam assim. No sadomasoquismo a beleza não é o mais importante. Numa situação dessas, o preso poderia excitar-se se visse que a torcionária tinha prazer. Além de que a senhora é uma mulher bem interessante.
— Acha? — perguntou ela, visivelmente nervosa. — Você, que é um masoquista assumido, teria prazer em ser esbofeteado pela Olga... ou por mim?
Respondi que sim, sem hesitar.
Rimo-nos ambos. Estava estabelecida, entre nós, uma estranha cumplicidade, mas ela resolveu terminar com a conversa, que já se estava a tornar demasiado perturbadora.
Ao tomar o elevador para o meu quarto, reparei que ela saía no mesmo piso que eu. Não estranhei pois, se tinha sido destacada para me vigiar, essa proximidade tinha toda a lógica.
— Em que quarto fica? — perguntei eu.
A resposta siderou-me:
— No seu, obviamente. Já mandei colocar um divã suplementar. Descanse, que não o vou assediar! — E deu uma gargalhada.
Mas eu fiquei de boca aberta quando ela começou a despir-se na minha frente como se fosse a coisa mais natural do mundo!
Depois, sem vestir nada, enfiou-se na minha cama completamente nua!
— Eu durmo aqui e você no divã, como bom cavalheiro que é...
Assim fiz, e apagámos a luz. Mas eu não conseguia dormir, devido a tudo o que vivera naquele dia... que ainda não terminara! Virava-me e revirava-me, e tudo aquilo rangia!
— Você não dorme nem deixa dormir ninguém, pois não?
— Sim... — disse eu — É como aqueles presos que vocês não deixavam dormir!
— Pois é — respondeu ela, rindo e acendendo a luz —, e até nem falta um vídeo! Vamos vê-lo agora?
Olhei para ela, estupefacto. Tinha-se sentado na cama, e eu podia ver-lhe uma boa parte de corpo nu, constatando que era muito mais atraente do que parecia quando vestida! A cara não escondia a idade, mas os braços, os ombros e os seios eram perfeitos. E agora sem óculos e com os cabelos soltos o erotismo era deveras forte.
— Que horror! — comentei — Ver um vídeo daqueles, a esta hora! Então é que eu ficava com insónias a noite toda!
— Pois, apesar de ser da Olga, eu gosto... Mas não quero tirar-lhe o sono. Quem sabe se você não sente a falta da sua cama habitual?
— Quer trocar?! — perguntei eu, rindo.
— Não é preciso, seu idiota! Cabemos bem aqui os dois. Mas primeiro tire essa porcaria de pijama. Além do mais, é desnecessário, com o calor que está!
Assim fiz, perturbado e envergonhado. Ela meteu-se bem para debaixo dos lençóis e riu-se, com um riso juvenil.
— Chegue-se para lá! Vai dormir comigo, mas não me vai tocar, ouviu? Já hoje tive os meus dois orgasmos diários, não preciso de si para nada. Pelo menos, agora. Talvez amanhã de manhã eu o ponha a fazer uma coisa... Mas agora um pouco de Tântalo só lhe vai fazer bem. Tenha bons sonhos, amigo Rosário! Ou prefere que o trate por — digamos... — Verme?
E, rindo, virou-me as costas... e adormeceu quase de imediato!

PARTE 3
COMO facilmente se compreende, essa noite foi suficientemente estranha para ser inesquecível.
Não sei quanto tempo dormi — e nem sei mesmo se dormi!
Pouco depois de o sol começar a entrar pela janela, fui sobressaltado pelo toque do telefone.
Atendi.
Era Olga que, sabendo o que se estava a passar, me perguntava ironicamente se eu tinha dormido bem!
Depois, deu-me a novidade que a levara a telefonar tão cedo:
Tinha obtido a confirmação de que o meu jornal ia publicar tudo, e sem alterar uma vírgula e, inclusivamente, a gráfica já começara o trabalho de impressão.
— Está portanto na hora de você sumir. Logo à noite (ou, o mais tardar, amanhã de manhã) já será conhecido aqui o seu trabalho, e não faltará quem ande a querer saber quem foi que escreveu aquilo. Sossegue, que o seu nome não vai aparecer. Vai ser publicado como sendo uma crónica do enviado especial do jornal. Mas essas coisas podem vir a saber-se, e não há nada como desaparecer daqui. O avião é ao fim da tarde, e já tem tudo marcado. Passo pelo hotel a buscá-lo às 5 horas, pelo que tem tempo para dar uma volta pela cidade. A Zélia é boa cicerone. Ah! E já agora não se esqueça de pedir que levem o pequeno-almoço aí ao quarto. Ela vai apreciar que lho sirva na cama! Não precisa de ser de joelhos!
Riu-se e desligou.
Zélia ouvira a nossa conversa, mas não se mostrou interessada em falar com a outra.
— Ligue para a recepção, e, para mim, peça café com leite, uma torrada e um sumo de laranja. E enquanto não trazem isso, vá tomar banho.
Assim fiz, e estava já a vestir o roupão quando ouvi um som inconfundível:
Zélia estava a usar um vibrador, sem se preocupar minimamente com o facto de eu estar por perto!
Ao ver-me voltar ao quarto, interrompeu o que tinha começado e disse-me:
— Pareceu-me ouvir passos no corredor. O tabuleiro com o café já deve estar na mesinha lá fora.
Assim era.
Trouxe-o para dentro, coloquei-o em cima da mesa que ali havia, e tirei dele o meu café, ficando apenas com o que era para ela.
Zélia estava agora sentada na cama, mas com as pernas para fora e com os pés no chão.
Completamente nua, tal como dormira, espreguiçava-se e esperava - obviamente - que eu a servisse...
— Tire lá a porcaria desse roupão!
Assim fiz, um pouco confuso por me ver assim observado: ali em pé, de tabuleiro na mão, e sem poder esconder a erecção que há muitas horas me atormentava.
Ela pegou no tabuleiro, colocou-o sobre os joelhos e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, disse-me:
— Ó homem!, você está mesmo aflito! Esteve assim a noite toda? Está com cara de quem não dormiu nada! Vá lá, resolva lá isso, alivie-se, que isso assim até lhe faz mal!
Fiquei sem saber responder...
Divertida, continuou, enquanto bebia um gole de café:
— Se tem vergonha de fazer isso na minha frente, vá à casa-de-banho.
Extremamente confuso, não me movi nem disse nada.
— Credo, homem! Mas que cara é essa? Vamos, tire daqui o tabuleiro e venha cá. Se você não precisa de alívio, preciso eu!
Era óbvio o que ela queria.
Afastou as pernas e limitou-se a apontar para o chão.
Sem uma palavra, ajoelhei na sua frente e fiz o que devia fazer...






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