Ela é da filial

  • Temas: traição, desejos, colega, casada
  • Publicado em: 04/03/26
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  • Autoria: Brends
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Private Muse

Foi na minha primeira viagem do ano. Saí de Brasília para São Paulo para cobrir um evento. Cheguei um dia antes, já no fim da tarde, e fiquei apenas no quarto. Não havia ninguém que eu conhecesse para sair ou passar algumas horas, então simplesmente tentei dormir.


Mas era difícil. Eu havia me hospedado próximo ao aeroporto e, por horas, fiquei ouvindo os aviões decolarem e pousarem. O som invadia o quarto como uma respiração metálica constante. Enquanto isso, minha cabeça organizava o dia seguinte, como se cada pensamento precisasse se alinhar antes de eu permitir que o corpo descansasse.

Já passavam das três da manhã quando finalmente consegui dormir de verdade.


Acordei não muito tarde e saí para caminhar. Era uma sensação estranha: uma solitude misturada com uma leve solidão. Caminhei por algumas ruas sem destino, observando as pessoas, mas sem realmente encontrar ninguém que parecesse disposto a cruzar olhares ou iniciar uma conversa. Ou talvez fosse apenas eu que não soubesse mais interpretar os sinais.


Voltei para o quarto. O evento seria no início da noite. Ainda havia tempo para me organizar, comer alguma coisa e preparar o material. Quando chegou a hora, coloquei tudo na bolsa e fui.


Ao chegar, percebi que os rostos eram os de sempre. Pessoas que eu já estava acostumado a ver na empresa. Mesmo sendo da filial de São Paulo, havia aquela familiaridade de corredores corporativos.


Fiz a cobertura do evento. Foi rápido, objetivo. Cumpriu-se o protocolo.

Depois de algumas taças de vinho, saí para fumar. Já estava quase na expectativa de ir embora.


Foi quando, conversando com alguns colegas do lado de fora, ela apareceu.

Uma mulher de feição espanhola, pele clara, cabelos escuros e um vestido longo com um corte lateral que revelava uma perna de forma quase provocativa. Não era vulgar, era perigoso de elegante.


Nesse momento, um colega ao meu lado, com o inconfundível sotaque carioca, comentou:


— Essa professora é gostosa.


Olhei para ele, quase sem acreditar.


— Aquela ali?


— Aquela mesma.


Foi assim que descobri quem ela era no meio de todos, a Doutora.


Nesse instante percebi que ela se aproximava. A amiga dela era também amiga minha, e em poucos segundos já estávamos todos conversando. No meio disso surgiu um convite:


— Vamos para o Charles Bar.


Logo em seguida ouvi meu nome no meio da frase.


Claro que eu não recusaria.


Principalmente porque ela também iria.

Nos apertamos em um carro e fomos. O bar não ficava muito longe. Quando chegamos, entendi o comentário que ela faria mais tarde.


Era um bar de rock frequentado por pessoas mais velhas. Ela riu quando comentou:


— Isso aqui é praticamente um bar 60+.

E sorriu.


O sorriso dela tinha uma boca deliciosa, daquelas que parecem desenhadas para provocar.


Entramos. Ela carregava algumas rosas nas mãos e eu estava com a mochila. Deixei a mochila no guarda-volume e perguntei se ela queria guardar as rosas ali também. Havia ainda uma caixa com doces que ela havia recebido no evento.

Seguimos para dentro.


Nossa amiga parecia bastante conhecida ali e rapidamente conseguimos uma mesa na área VIP.

No caminho até lá, percebi alguns olhares das senhoras mais velhas. Algumas me examinavam sem o menor pudor.


Sentamos.

Pedimos vinho.

Éramos cinco.


Percebi que ela não estava muito inclinada a beber. Ofereci um gole da minha taça; ela recusou com um sorriso discreto. Então pedi outra taça e servi um pouco para ela.


Ela acabou ficando com aquela mesma taça a noite inteira.

Eu não conseguia sair de perto dela.

Nem eu, nem o carioca que estava conosco. Ele era mais direto, mais despojado. Já havia sido aluno dela em um módulo específico e, segundo ele mesmo contou depois, gostava de provocá-la com pequenas cantadas escondidas entre perguntas acadêmicas.


A banda começou a tocar, Rock ao vivo e um bom som. Conversamos, mas nada muito profundo. Perguntas básicas. Ela quis saber meu papel dentro da empresa, eu quis entender melhor o dela.


Mas, em certos momentos, as palavras perdiam importância.

Quando ela se sentou de uma maneira mais relaxada, o vestido abriu ainda mais na lateral. A pele da coxa apareceu com uma naturalidade quase cruel. Era impossível não imaginar minhas mãos ali, firmes, puxando aquela perna para mais perto.


Mas eu mantive a conversa civilizada.

A segunda garrafa de vinho chegou.

Algumas horas depois, ela começou a se despedir.


Naquele instante pensei que também era hora de ir. Talvez pudéssemos dividir o carro. Além disso, eu ainda precisava devolver as coisas dela que estavam na minha mochila.


Saímos.


Peguei minhas coisas no guarda-volume e sugeri dividir o táxi. Ela comentou que meu hotel ficava na direção oposta da casa dela.


Mesmo assim insisti um pouco.

Ela acabou concordando.

Entramos no carro.


A cidade passava pelas janelas enquanto conversávamos. Aos poucos a conversa foi ficando mais pessoal. Foi então que ela mencionou que era casada.


Aquilo me surpreendeu. Aquela mulher sozinha naquela noite, com aquela presença… casada.

Ela contou que havia se casado muito nova, pouco depois dos vinte anos.

Conversa vai, conversa vem, fui me aproximando lentamente. Nossos rostos estavam cada vez mais próximos.

Em meio a um sorriso dela, tentei beijá-la.


O sorriso desapareceu imediatamente.

Foi rápido, quase seco.


Naquele instante entendi que ela não queria a mesma coisa que eu.

Ou pelo menos não naquele momento.

Mas acho que ela percebeu o volume evidente na minha calça.


Logo estávamos chegando à casa dela. O carro parou. Ela se virou para se despedir, tentei novamente, sem sucesso.


Foi quando ela disse, com uma firmeza inesperada:

— Você perdeu qualquer chance que tinha.

Abriu a porta e saiu.


Fiquei parado no banco de trás, ainda absorvendo o que tinha acabado de acontecer já chocado.

Mas, no fundo, algo dentro de mim dizia que aquela história ainda não tinha terminado.


Voltando para Brasília, mandei algumas mensagens. Percebi que ela ainda tinha um certo carinho por mim, mesmo depois das minhas atitudes um pouco precipitadas naquela noite.


Daí em diante passamos a conversar quase todos os dias. Na maioria das vezes falávamos sobre trabalho, mas vez ou outra a conversa escapava para assuntos mais pessoais.


Em uma dessas conversas comentei que, sendo tão atraente, ela certamente devia receber muitas cantadas.

Ela riu e disse que às vezes recebia até nudes aleatórios.

Disse que apenas olhava e apagava.


Safadinha.


Na hora confesso que pensei em mandar o meu também, mas não iria vacilar de novo.

Em vez disso, ofereci a ela algo diferente: a leitura de um dos meus contos.

Ela disse que leria.


Comentou que tinha um parente que havia publicado um livro de romance erótico e compartilhou comigo algumas frases da obra. Quando li, percebi como eu ainda era pequeno naquele universo. O texto tinha uma liberdade, uma malícia e uma inteligência que eu ainda queria aprender a construir.


Aquilo, de certa forma, me provocou.

Seguimos assim por semanas. Conversando quase todos os dias. Ela me contava histórias curiosas do trabalho, coisas da vida, pequenos fragmentos de si mesma. E eu tentava acompanhar o ritmo, oferecendo tudo que pudesse arrancar um sorriso dela.

Às vezes mandava algumas fotos… discretas. Nada explícito. Apenas o suficiente para insinuar mais do que mostrar. Uma calça marcada aqui, um ângulo provocativo ali.


Era um jogo silencioso.


Quase um mês depois, ela veio para Brasília, chegou em um domingo à noite, combinamos de jantar.


Eu não estava mal-intencionado. Pelo menos foi isso que tentei dizer a mim mesmo.

Encontrei-a na porta do hotel onde estava hospedada. Deixei minha moto ali mesmo e pegamos um táxi até um restaurante um pouco mais afastado do centro.


O lugar era lindo.


Luzes baixas, vidraças amplas refletindo a cidade, mesas espaçadas e uma trilha suave de sax soprano preenchendo o ambiente com um jazz elegante.


Sentamos.

Pedimos vinho.

Uma garrafa.

Depois outra.

E mais uma.


Ríamos muito e nossa conversa corria solta, leve, como se aquele mês de mensagens tivesse apenas preparado o terreno para aquele encontro.


Havia algo no olhar dela que parecia mais aberto naquela noite.

Mas nada aconteceu.

Apenas conversa, vinho e aquele clima quase elétrico que ficava no ar quando nossos olhares se encontravam por alguns segundos a mais.


Já era tarde.


Precisávamos acordar cedo para o evento que aconteceria no dia seguinte.

Pegamos um táxi de volta para o hotel.

Quando entrei no carro percebi algo curioso: ela havia se sentado no meio do banco traseiro, com as pernas viradas para o lado onde eu iria me sentar.


Ela me olhou com um sorriso de canto de boca.


Esperou eu entrar.

Esperou eu fechar a porta.


E então fez exatamente a mesma coisa que eu havia tentado fazer naquele táxi em São Paulo, mas dessa vez eu não virei o rosto como ela ou perdi o sorriso.


Entrei naquele beijo com vontade.

O táxi seguiu pelas ruas de Brasília enquanto nos beijávamos como se o tempo tivesse desacelerado. O beijo não era apressado, era profundo, demorado, cheio de pequenas pausas em que nossos rostos se afastavam apenas o suficiente para voltar de novo.

Quando o carro parou no hotel, ela não disse nada.


Apenas segurou minha mão.

Subimos.

Em silêncio.


Já na porta do quarto, ela tirou o cartão da bolsa. Me encostou na parede ao lado da porta e voltou a me beijar enquanto abria o quarto, ela me puxou para dentro ainda me beijando, conduzindo meu corpo de costas até a cama.


Caímos.

Ela por cima de mim.


Abriu as pernas, encaixando-se sobre as minhas, pressionando meu corpo contra o colchão enquanto seu peso se acomodava lentamente sobre mim.

Naquele instante percebi que aquela mulher que, semanas antes, havia dito que eu tinha perdido qualquer chance… agora parecia decidida a recuperar cada segundo perdido.


Minhas mãos finalmente tocaram aquelas pernas. Subiram devagar, sentindo a pele quente, deslizando pelo tecido do vestido até levantá-lo. Em um movimento impaciente, ela mesma puxou o vestido pela cabeça e o deixou cair ao lado da cama.


Ficou ali diante de mim, apenas de sutiã.


Foi então que percebi algo que me atravessou como um choque: ela não usava calcinha. Durante todo aquele tempo, desde o jantar, desde o táxi, ela estivera assim.


Como se já soubesse exatamente onde aquela noite iria terminar.

Ela começou a abrir minha camisa, um botão após o outro, com uma pressa silenciosa. Em seguida puxou meu cinto, afrouxando-o enquanto nossos rostos se aproximavam outra vez.


Respirávamos mais forte agora.


O vinho ainda aquecia o corpo, misturado à ansiedade que crescia entre nós.

Em um gesto quase impaciente, ela puxou minha calça para baixo, como se não quisesse perder mais nenhum segundo daquela noite que, finalmente, parecia começar de verdade.


Ela se inclinou sobre mim e, com uma segurança que me surpreendeu, começou a me provocar com uma intensidade que fez meu corpo inteiro responder. Fechei os olhos por um instante, tentando controlar a respiração, enquanto uma onda de prazer subia pelo peito.


— Calma… — murmurei, quase rindo de nervoso.


Ela levantou os olhos para mim com um sorriso malicioso.

Aquela boca… além de beijar bem, parecia saber exatamente o que estava fazendo, me chupando com vontade e olhando em meus olhos.


Não demorou para que eu a puxasse de volta, invertendo nossas posições. Agora era minha vez de chupar cada centímetro dela. Aproximei o rosto de seu corpo e senti o calor, o perfume, a entrega que havia ali.


Ela reagia sem pudor, com gemidos baixos que escapavam entre a música distante do corredor e o silêncio do quarto.


Depois de alguns minutos, ela simplesmente se levantou e veio sobre mim outra vez, com uma confiança quase provocadora segurou meu pau e sem dificuldade sentou e cavalgou como uma amazona. Seus movimentos eram lentos no início, como se quisesse sentir cada segundo daquele encontro que parecia ter sido adiado por semanas.


Quando soltou o sutiã, a luz suave do quarto desenhou o corpo dela sobre o meu.


Inteiramente nua.


Ela começou a se mover com mais intensidade, os cabelos caindo sobre os ombros, os olhos fechados por alguns momentos, e depois voltando para mim como se quisesse confirmar que eu ainda estava ali, completamente perdido nela.


Eu tentava segurar o momento, prolongar aquela sensação o máximo possível, ela se inclinava para me beijar, voltava a se erguer, os movimentos ficando cada vez mais intensos. Havia um desejo quase urgente naquele ritmo.


E quando finalmente estávamos entregues por completo àquele momento, tudo parecia suspenso por alguns segundos e, gozamos juntos.

Foi só o começo da noite.


Mas já era, sem dúvida, uma noite inesquecível.


Enquanto ela descansava ao meu lado, pensei em como o mundo às vezes gira de maneiras curiosas. Aquela mesma mulher que havia dito que eu tinha perdido qualquer chance… agora estava ali, dividindo comigo uma madrugada inteira.


E eu só conseguia torcer para que nossos caminhos se cruzassem novamente.


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